* Arthur Soffiati
04/03/2026 10:42 - Atualizado em 04/03/2026 10:42
Arthur Soffiati
O arquipélago dos Açores é formado por nove ilhas que integram um conjunto maior constituído pelos arquipélagos de Cabo Verde, Canárias, Porto Santo e Madeira. O conjunto dos arquipélagos recebe o nome de Macaronésia. São ilhas vulcânicas no centro do oceano Atlântico. Acredita-se que essas nove ilhas já figuram em mapas genoveses do século XIV. Acredita-se mesmo que cartagineses tenham alcançado essas ilhas no século IV a.C. O certo é que Gonçalo Velho aportou à ilha de Santa Maria em 1431. Diogo Teive alcançou as nove ilhas em 1450.
Arthur Soffiati
Como escreveu o historiador francês Fernand Braudel, uma civilização é, antes de tudo, um espaço (“Las civilizaciones actuales”. Madrid: Tecnos, 1973). Civilização não é o termo mais adequado atualmente. Melhor sociedade e cultura. Braudel explicita que espaço é terra, relevo, clima, flora e fauna. As ilhas formadoras dos Açores são vulcânicas e, por mais parecidas que sejam em seu contexto geológico, elas têm particularidades botânicas e zoológicas. Existem endemismos em cada uma, ou seja, espécies vegetais e animais que só ocorrem em determinado local. Elas não contam igualmente com grandes bacias hídricas exatamente por serem vulcânicas e pequenas. Em todas, formaram-se pequenas lagoas em crateras, assim como sulcos por onde escorre água. São as ribeiras.
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Uma sociedade desenvolve uma cultura e vive embebida nela. A população dos Açores tem origem portuguesa. Fala o português com sotaque. Tem também uma história. Além de cristãos católicos, foram para lá judeus convertidos pela inquisição: os cristãos novos. Como não havia população anterior, as ilhas foram descobertas para humanos (já existiam outros seres). Há livros sobre a flora de cada ilha, mas também “Flora terrestre dos Açores”, de Virgílio Vieira, Mónica Moura e Luís Silva (Ponta Delgada: Letras Levadas, 2020).
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O arquipélago dos Açores é formado pelas ilhas Santa Maria, São Miguel, São Jorge, Terceira, Graciosa, Faial, do Pico, das Flores e do Corvo. Ele integra a república de Portugal como Região Autônoma. Ainda que instalado num pequeno espaço, que compreende o território continental, a ilha de Porto Santo, o arquipélago da Madeira e o arquipélago dos Açores, em Portugal, a língua adquiriu sotaques, além de abrigar, também como língua oficial, o mirandês e ter o barranquenho como língua postulante a oficial. A língua é um dos componentes basilares de uma cultura.
Sobre a história dos Açores, adquiri e li “Coleção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores”, com ensaio de Manuel Monteiro Velho Arruda (Ponta Delgada, 1932) e “Os Açores nos séculos XVI e XVII”, de João Marinho dos Santos, em dois volumes. Trata-se de trabalho abrangente e consistente.
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Conheci apenas a ilha de São Miguel. Percebi o sotaque do português conversando com pessoas. No retorno, adquiri “Dicionário de falares dos Açores”, de J.M. Soares de Barcelos (Coimbra: Almedina, 2008) e “O nosso falar ilhéu”, de Olímpia Soares de Faria (Angra do Heroísmo, 1997), sobre o português na ilha de São Jorge. Há particularidades em cada uma das nove ilhas.
A culinária também é distinta da de Portugal em grande parte, sendo ainda regionalizada em cada ilha. Balbina Pereira é autora de “Cozinha regional dos Açores” (Europa-América). Os pratos são feitos à base de carne, peixes e frutos-do-mar. É famoso o polvo na telha.
O arquipélago conta com Ponta Delgada (ilha de São Miguel) como capital administrativa/executiva; Angra do Heroísmo (ilha Terceira) como capital histórica; Horta (ilha do Faial) como capital legislativa. Ponta Delgada é a maior cidade e polo turístico do arquipélago. Minha base para conhecer a ilha de São Miguel foi Ponta Delgada, onde comprei livros e CDs, além de visitar igrejas e provar a culinária local. A dança típica das nove ilhas é o Pezinho, que é também conhecido em Santa Catarina, pois foi grande a migração açoriana para o Brasil e para os Estados Unidos. Várias famílias açorianas se instalaram no norte e noroeste fluminense.
Em prefácio a nova edição de “As ilhas desconhecidas”, relato poético de Raul Brandão sobre os Açores, em 1926, Pedro Silveira escreve: “Não hesito em classificar ‘As ilhas desconhecidas’ como um dos melhores livros de viagens de todos os tempos na literatura portuguesa”. De fato, os quadros naturais e humanos pintados por Brandão são lindos e comoventes. Mas, no final, ele deseja ardentemente retornar para sua casa em Lisboa. Eu hesitei entre Ponta Delgada e Campos, desejando voltar ao arquipélago.