Arthur Soffiati - Mais reflexões sobre a crise ambiental da atualidade
Os processos de produção da economia de mercado são exponenciais. Eles criam uma ação que gera uma reação que acentua a ação inicial, como uma forca, cujo laço aperta mais quanto mais pesado for o corpo enforcado.
Os processos de produção da economia de mercado são exponenciais. Eles criam uma ação que gera uma reação que acentua a ação inicial, como uma forca, cujo laço aperta mais quanto mais pesado for o corpo enforcado.
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O chamado desenvolvimento é um crescimento exponencial: ele explora a natureza para enriquecer as sociedades globalizadas e provoca a inviabilização do desenvolvimento. Tanto as sociedades que exploram muito a natureza quanto as que a exploram pouco tornam-se vítimas da exploração.
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O resultado não são apenas as mudanças climáticas antropogênicas pelo acúmulo de gases na atmosfera, como também a destruição de biomas, a extinção de espécies, a degradação dos oceanos, o derretimento de geleiras, a elevação do nível do mar, a poluição do ambiente.
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E a guerra contra a natureza gera uma resposta desta como se fossem bombas com grande poder de destruição lançadas contra as sociedades humanas: chuvas torrenciais, estiagens devastadoras, tempestades de vento, avanço do mar sobre áreas povoadas por pessoas.
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Os cientistas vêm advertindo quanto aos perigos de se alterar as condições do Holoceno há 50 anos. A primeira reação foi a de ignorar ou de considerar alarmistas tais advertências. A segunda foi a de negar os aportes da ciência. Atualmente, os avisos estão sendo levados em conta, mas não no nível desejado.
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Para discutir... o que? Uma destruição em velocidade mais lenta? O fim progressivo do processo de destruição? A transição de uma economia de baixo carbono com o uso progressivo de fontes como o sol, o vento e o mar? O retorno às condições naturais do Holoceno antes da crise? Um ambiente que, apesar do uso de combustíveis fósseis, não agrida tanto a natureza e os humanos? Para discutir tudo isso, ou seja, a crise ambiental antrópica em todas as suas manifestações, são promovidas reuniões para acertar acordos que reduzam a intensidade da guerra contra a natureza e os revides desta ou mesmo o fim da guerra. São as chamadas COPs.
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Como é comum nas negociações de paz, primeiro busca-se continuar com uma guerra rendosa. Não se consegue consenso. Marca-se outra reunião. Avança-se um pouco mais ou não se promove nenhum avanço, porém não o necessário para cessar a guerra. A natureza contra-ataca de maneira cada vez mais agressiva. Nova reunião é promovida. Declarações conjuntas empurrando a paz para o futuro e não cumprindo os acordos firmados.
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Os países chamados desenvolvidos são os que mais poder de fogo têm na guerra contra o planeta. Guerrear a Terra foi, durante muito tempo, sinônimo de progresso e desenvolvimento. Os países que mais bombardeiam o planeta não esperavam um contra-ataque dele. Por muito tempo, julgaram que a natureza era inerte diante dos ataques da economia. Agora, que os cientistas revelam o planeta como sujeito de história, a cultura ocidental da exploração busca uma exploração mais moderada ou continua com a guerra confiando na resiliência da natureza.
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O que os defensores da Terra pretendem? Criar um equilíbrio perfeito com a cessação dos bombardeios? Criar condições ao menos suportáveis para a vida? Retornar à dinâmica natural do Holoceno? Equilíbrio perfeito nunca existiu. A Terra nasceu em condições insuportáveis para a vida. Com o tempo, essas condições permitiram que a vida se constituísse em meio a condições adversas. Várias crises naturais ameaçaram a vida severamente. O que o autor destas reflexões almeja é o retorno das condições naturais do Holoceno ou a criação de condições suportáveis para a vida. Sabe-se, de antemão, que essas condições sofrerão mudanças naturais até o desparecimento da Terra. Que seja o Universo responsável pela extinção. Não o ser humano. Todos morrerão, mas, enquanto vivos, o tratamento deve valorizar a dignidade.
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O resultado não são apenas as mudanças climáticas antropogênicas pelo acúmulo de gases na atmosfera, como também a destruição de biomas, a extinção de espécies, a degradação dos oceanos, o derretimento de geleiras, a elevação do nível do mar, a poluição do ambiente.
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E a guerra contra a natureza gera uma resposta desta como se fossem bombas com grande poder de destruição lançadas contra as sociedades humanas: chuvas torrenciais, estiagens devastadoras, tempestades de vento, avanço do mar sobre áreas povoadas por pessoas.
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Os cientistas vêm advertindo quanto aos perigos de se alterar as condições do Holoceno há 50 anos. A primeira reação foi a de ignorar ou de considerar alarmistas tais advertências. A segunda foi a de negar os aportes da ciência. Atualmente, os avisos estão sendo levados em conta, mas não no nível desejado.
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Para discutir... o que? Uma destruição em velocidade mais lenta? O fim progressivo do processo de destruição? A transição de uma economia de baixo carbono com o uso progressivo de fontes como o sol, o vento e o mar? O retorno às condições naturais do Holoceno antes da crise? Um ambiente que, apesar do uso de combustíveis fósseis, não agrida tanto a natureza e os humanos? Para discutir tudo isso, ou seja, a crise ambiental antrópica em todas as suas manifestações, são promovidas reuniões para acertar acordos que reduzam a intensidade da guerra contra a natureza e os revides desta ou mesmo o fim da guerra. São as chamadas COPs.
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Como é comum nas negociações de paz, primeiro busca-se continuar com uma guerra rendosa. Não se consegue consenso. Marca-se outra reunião. Avança-se um pouco mais ou não se promove nenhum avanço, porém não o necessário para cessar a guerra. A natureza contra-ataca de maneira cada vez mais agressiva. Nova reunião é promovida. Declarações conjuntas empurrando a paz para o futuro e não cumprindo os acordos firmados.
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Os países chamados desenvolvidos são os que mais poder de fogo têm na guerra contra o planeta. Guerrear a Terra foi, durante muito tempo, sinônimo de progresso e desenvolvimento. Os países que mais bombardeiam o planeta não esperavam um contra-ataque dele. Por muito tempo, julgaram que a natureza era inerte diante dos ataques da economia. Agora, que os cientistas revelam o planeta como sujeito de história, a cultura ocidental da exploração busca uma exploração mais moderada ou continua com a guerra confiando na resiliência da natureza.
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O que os defensores da Terra pretendem? Criar um equilíbrio perfeito com a cessação dos bombardeios? Criar condições ao menos suportáveis para a vida? Retornar à dinâmica natural do Holoceno? Equilíbrio perfeito nunca existiu. A Terra nasceu em condições insuportáveis para a vida. Com o tempo, essas condições permitiram que a vida se constituísse em meio a condições adversas. Várias crises naturais ameaçaram a vida severamente. O que o autor destas reflexões almeja é o retorno das condições naturais do Holoceno ou a criação de condições suportáveis para a vida. Sabe-se, de antemão, que essas condições sofrerão mudanças naturais até o desparecimento da Terra. Que seja o Universo responsável pela extinção. Não o ser humano. Todos morrerão, mas, enquanto vivos, o tratamento deve valorizar a dignidade.
*Professor, historiador, escritor, ambientalista e membro da Academia Campista de Letras