A Uenf passará por um processo eleitoral que terá início no próximo dia 16 de setembro, e esse assunto, o do Arquivo, está longe de ser superado (veja aqui).
A Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio) foi a responsável pelo envio dos recursos à universidade, oriundos da economia feita no orçamento do legislativo estadual, e repassado em forma de duodécimos para a Uenf. Também por esse motivo, seria necessário que os R$ 20 milhões tivessem trânsito por uma instituição do Estado.
Não era uma tarefa simples. O atual reitor, Raúl Palacio, defendia que era necessário licitar o projeto de restauro e as obras, e a prefeitura, responsável pelo Solar, apresentou no início do processo um Termo de Cooperação Técnica com uma empresa de Minas Gerais, a Sabra. Mas a Uenf, a prefeitura e a Sabra não se entenderam. Foram necessárias diversas reuniões (veja aqui) para que, finalmente, chegassem ao entendimento de que era necessário realizar todo trâmite da licitação do projeto e depois das obras, em separado.
Embora a premissa fosse correta, a Uenf levou quase dois anos para que alguma ação concreta fosse tomada. Como publicado aqui em primeira mão, nos primeiros dias de agosto a empresa Technische Engenharia e Consultoria foi contratada para prestar assessoria e principalmente a elaboração do Termo de Referência, passo fundamental para o projeto de restauro.
O Solar
O Solar do Colégio é uma construção jesuítica do século XVII, mantida em suas características originais e localizada em uma região afastada do centro. De estilo barroco, tem paredes de 70 centímetros de espessura em tijolos queimados e telhado com beira-seveira (uma espécie de beiral constituído por camadas de telhas).
No primeiro pavimento do Solar, todos os vãos possuem molduras em pedra. No segundo pavimento, a fachada principal, com 40 metros de comprimento, possui 12 janelas com molduras em madeira. Apesar de belo e histórico, é um barril de pólvora sem manutenção adequada.
Quase tudo no Solar do Colégio foi fabricado por mão de obra escrava, no próprio local, onde funcionou um engenho de açúcar. Se configurando como um dos principais patrimônios campistas, o local é uma aula de história viva, de aprendizado com o passado, e que ainda abriga uma instituição que faz a manutenção e guarda de vasto acervo documental, iconográfico e jornalístico de mais de 300 anos de história da região.
Rafaela Machado, diretora do Arquivo Público, tomou a iniciativa de convidar oficialmente as chapas concorrentes para a reitoria da Uenf para que fossem até a instituição e pudessem perceber as dificuldades e desafios que a equipe enfrenta cotidianamente.
Aceitando o convite de Rafaela (a chapa de titularidade de Rosana Rodrigues ainda não se manifestou sobre o convite, mas será franqueado este mesmo espaço jornalístico caso aceite), o professor Carlos Rezende, o Carlão, titular da Chapa 30, e a sua candidata a vice-reitora, Daniela Barros, visitaram na manhã desta quinta-feira o Solar.
Em entrevista a este mesmo espaço, Carlão disse que “esse assunto, continua sendo muito delicado dentro da UENF, pois faltou debater com os docentes e técnicos da universidade que possuem competências e habilidades na área”. Disse ainda que a demora na aplicação dos recursos no Arquivo “colocou a Uenf num limiar perigoso, e que foram "duramente criticados”. Carlão também reclamou da falta de “transparência em toda etapa”.
Uma das motivações da visita foi deixada explícito por Carlão na entrevista. Disse que não sabia o que estava sendo feito pela Uenf no Arquivo, mas afirmou que a chapa que ele lidera tem “o compromisso de tratar o Arquivo Municipal com o devido respeito”, reconhecendo seu “enorme valor histórico”, e dizendo que o local é um “repositório para pesquisas de interesse pela Uenf”.
Ex-reitor e secretário de Agricultura da prefeitura participa da visita
Também esteve presente na visita, Almy Júnior, ex-reitor da Uenf e atualmente secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca. Almy disse que a atual administração da universidade conduziu a questão do Arquivo de forma “atabalhoada”.
O secretário de origem acadêmica, reconheceu a importância do Arquivo para o meio acadêmico de Campos, e propôs que seja realizado um projeto pedagógico que envolva a instituição arquivística e crie um “movimento na Baixada Campista”.
— Eu como ex-reitor da universidade, e hoje com um agente com uma função na prefeitura de Campos, tenho total interesse na solução desse problema. E é preciso deixar claro: não é só um projeto de restauro. A Uenf e as outras universidades de Campos precisam ocupar efetivamente o Arquivo Público com um projeto pedagógico importante, criar ali um movimento na baixada campista. Na agricultura temos interesse em ter um espaço ali, também.
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