Nesta sexta-feira (26), o presidente da Câmara de Vereadores, Marquino Bacellar, também concedeu uma entrevista, onde falou sobre os embates passados com o Executivo, e a futura disputa eleitoral de 6 de outubro, onde seu grupo político enfrentará o favoritismo atestado em pesquisas de Wladimir Garotinho.
Ambos personagens, Anthony e Marquinho, são conhecidos pela veemência nos posicionamentos, muitas vezes com ataques duros aos adversários, usando palavras fortes e apelidos no mínimo jocosos. Porém, nas entrevistas concedidas, eles mantiveram um tom mais sereno e mais ponderado, inclusive ao falar de seus adversários.
Nas entrevistas, o alívio no tom não se confundiu com a ausência de críticas. Elas estavam lá, os dois não se abstiveram de dizer o que pensam sobre o jogo político campistas e os outros personagens que o compõe. Mas elas foram feitas atendo-se a questões políticas, essencialmente, sem ataques pessoais ou familiares.
Como ainda eram ali as personas políticas que fazem questão de cultivar, houve momentos de posições mais malcriadas sobre os adversários, e ironias inevitáveis foram ditas. Mas sempre acima da “linha da cintura”.
Em tempos de polarização afetiva na política nacional, e discursos de ódio nas redes sociais, Garotinho e Bacellar conseguiram levar ao Folha no Ar um tom surpreendentemente ponderado nas análises que fizeram. Mesmo em ano eleitoral, mantiveram-se em uma postura de negação a forma de fazer política com ataques pessoais. Ponderaram, ou pelo menos demonstraram ponderar, que talvez seja o momento de não esticar a corda, de disputar apenas na arena eleitoral e política, sem agressões, mesmo contra grupos antagônicos.
Talvez o programa da FolhaFM não reflita a realidade vista na atuação política dos mesmos personagens daqui para a frente. Talvez as eleições, quando a campanha começar de fato, impeça que climas elevados e de diálogo respeitoso voltem a acontecer. Mas o Folha no Ar deixou dois exemplos, através das entrevistas de Garotinho e Bacellar, que é preciso promover espaços onde os políticos façam de seus ofícios algo condizente com a convivência democrática e pacífica.
Todos saem ganhando com mais democracia. E o jornalismo cumpre um papel fundamental em mostrar que esse jogo só deve ser jogado com respeito e sem ódio, onde não se perca a capacidade de dialogar, mesmo com os opostos.
A política campista não pode dispensar os adversários, mas não precisa de inimigos. A Folha e a cidade agradecem.