Em Campos dos Goytacazes, séculos depois, uma banda de rua nascia homenageando Apolo e seu instrumento. A Sociedade Musical Lyra de Apollo constitui-se em dissidência de outra banda chamada Nossa Senhora da Conceição, em meados dos anos 1860. O grupo se organizou e fundou a filarmônica em 19 de maio de 1870, formando a banda que desde então atua em Campos.
Em 154 anos de existência a Lyra de Apollo é a banda mais antiga da cidade, e esteve presente nos grandes acontecimentos que marcaram a história de Campos. Seus músicos embalaram a inauguração da Usina Santa Cruz, do Liceu de Humanidades de Campos, do extinto Teatro Trianon, e da hoje oculta Biblioteca Municipal.
Tudo transcorreu bem até 1990, quando o prédio foi quase destruído por um incêndio, que queimou os instrumentos musicais e todo o arquivo de partituras. Desde então a Sociedade Musical vem lutando pela sua restauração, realizando apresentações, buscando parcerias e tentando sensibilizar o poder público. O prédio da Lyra é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).
A Lyra de Apollo resistiu ao descaso e ao fogo, principalmente através de doações e mobilização de parte da sociedade, e com parceria firmada com a empresa de restauração “Augural”, de propriedade do arquiteto Humberto Netto das Chagas, que conseguiu refazer o telhado e as duas torres.
A Lyra resistiu. Sob a proteção de Apolo, em uma cidade que viu tantos patrimônios materiais e imateriais desaparecerem, a resistência de uma banda popular de mais de um século e meio precisa ser celebrada. Que venham os próximos 100 anos.