Edgar Vianna de Andrade - A cobra metafórica
*Edgar Vianna de Andrade 01/01/2026 07:37 - Atualizado em 01/01/2026 07:37
Divulgação

Filme “Anaconda” - Em 1997, o público mundial conheceu “Anaconda”, ficção científica dirigida por Luis Llosa com produção estadunidense e brasileira. Estrelava no filme um elenco famoso formado por Jennifer Lopez, Jon Voight e Owen Wilson. Não havia novidades. Cobras, jacarés, piranhas, baratas, abelhas, formigas e aranhas já haviam perturbado a vida das pessoas antes no cinema. Se “Anaconda” não se tornou um clássico, parece que se tornou um cult, dando origem a uma franquia que gerou filmes sofríveis, sobretudo os três últimos.

Não sei bem se por questão pessoal ou por ter se tornado cult, Tom Gormican volta ao filme para produzir “Anaconda” (2025) na forma de comédia. Fala-se em metalinguagem. Lembranças da infância levam um grupo de amigos a conseguirem os direitos autorais da primeira anaconda não mais para um drama de ficção científica, mas para uma comédia estrelada por Paul Rudd, Jack Black, Steve Zahn, Thandiwe Newton, Daniela Melchior e Selton Mello.

Depois de atuar como Rubens Paiva no premiado “Ainda estou aqui”, filme em que sai da frente das câmaras antes do fim e permite que Fernanda Torres dê um espetáculo de interpretação. Se ele não ganhou um prêmio individual com o filme de Walter Salles, pelo menos ganhou um convite para filmar “Anaconda” na Austrália. Selton não entra no princípio do filme nem fica até o final. Seu papel é o de treinador de anacondas numa Amazônia mal caracterizada.

O grupo de amigos que deseja refilmar Anaconda o contrata. Um deles comenta, enquanto o barco sobe o rio, que o primeiro filme “Anaconda” pode ser entendido como o medo que afeta todos nós. Portanto, como metáfora. O desempenho de Selton Mello é bom num filme que se pretende comédia, considerando-se que ele tem se saído bem em dramas. Uma comédia sofrível abre-lhe as portas para o cinema estadunidense. Pena que tenha sido devorado por uma anaconda antes do fim.

Mas a metáfora não é propriamente o medo que perturba todo ser humano e até os animais. A grande cobra é a metáfora. Ela não apenas devora os maus, mas engole também os artistas com atuação sofrível.

Depois de aparecer na Amazônia, na Indonésia e na Europa Oriental, ela bem poderia voltar agora num filme de terror acompanhada por todos aqueles que ela deglutiu. Agora como espíritos atormentados.

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