Dora Paula Paes
21/04/2026 08:22 - Atualizado em 21/04/2026 08:21
Reprodução rede social
O campista Nilo Peçanha (1867-1924), o primeiro presidente negro do Brasil, será um personagem real na fictícia novela “A Nobreza do Amor, na Globo, transmitida na região pela TV Planíce. Para a historiadora Graziela Escocard, quem conhece a história de Campos e do Norte Fluminense, há um charme extra em vê-lo retratado não apenas como uma figura dos livros. Além disso, ainda pode aproximar o público desse homem muitas vezes pouco valorizado. Peçanha é descrito na história como uma figura complexa e moderna para seu tempo. Na trama, ele aparece para ajudar uma mulher em fuga.
Na novela, Peçanha aparece como uma figura de autoridade no Rio de Janeiro, a quem a protagonista Alika/Lúcia (Duda Santos) busca aliança e pede apoio político para intervir em Batanga, seu país de origem. A aliança é na tentativa de limpar a honra do pai e fazer justiça contra o vilão Jendal (Lázaro Ramos), o homem com quem ela foi obrigada a ficar noiva.
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Em “A Nobreza do Amor”, Peçanha será vivido pelo ator Déo Garcez, o personagem fará uma participação especial na trama de Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio dão vida ao político. Nilo Peçanha, nascido em Campos, foi presidente do país entre 1909 e 1910, após o falecimento de Afonso Penha.
A novela, que tem a atriz campista Zezé Motta também no elenco, chama atenção por esse resgate histórico de Nilo Peçanha e, na sua terra natal, a historiadora Graziela Escocard comenta:
- Acho uma escolha muito interessante e com bastante potencial dramático usar Nilo Peçanha como personagem real em uma novela da Globo, especialmente porque ele era uma figura histórica complexa, moderna para seu tempo e profundamente ligada ao Rio de Janeiro e ao interior fluminense.
Graziela explica que Nilo tinha fama de ser conciliador, discreto e habilidoso nos bastidores. “Além disso, por ser um homem de origem mais humilde e alvo de preconceitos raciais e sociais na elite da Primeira República, faz sentido que ele pudesse se identificar com alguém perseguida, obrigada a esconder sua verdadeira identidade”, analisa.
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Biografia
A família de Nilo Peçanha vivia pobremente em um sítio no atual distrito de Morro do Coco, em Campos,até que se mudou para o centro da cidade quando Nilo Peçanha chegou à idade escolar.Seu pai era conhecido na cidade como “Sebastião da Padaria”.
Nilo Cursou aFaculdade de Direito de São Pauloe depois naFaculdade do Recife, onde se formou.
Seu romance na vida real
No seu romance da vida real, ele casou-se comAna de Castro Belisário Soares de Sousa, conhecida como “Anita”, descendente de famílias aristocráticas e ricas de Campos, neta do Visconde de Santa Rita e bisneta do Barão de Muriaé e do primeiro Barão de Santa Rita.
O casamento foi um escândalo social, pois a noiva teve que fugir de casa para se casar com um pobre e mulato, embora político promissor.Na imprensa, há época,frequentemente ridicularizado na imprensa em charges e anedotas que se referiam à cor da sua pele.
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História fictícia
Quanto à novela, "A Nobreza do Amor", o reino fictício de Batanga, abrigo de grandes riquezas naturais é localizado na costa ocidental da África. Na década de 1920, Alika, se recusa a casar com Jendal, além de atrapalhar seus planos de conquista de poder, convencendo seus pais a firmarem um acordo comercial com os turcos.Já como fugitivas, mãe (Erika Januza)e a filha assumem, respectivamente, as identidades de Vera e Lúcia.
Na cidade fictícia de Barro Preto, Alika/Lúcia conhece Tonho (Ronald Sotto), um humilde trabalhador de um engenho de cana-de-açúcar que sonha com um pedaço de terra para ajudar seu povo.