Dora Paula Paes
21/04/2026 08:28 - Atualizado em 21/04/2026 08:28
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“Os Franceses em Campos dos Goytacazes (Sec. XVI-XXI)” foi o livro lançado pela Editora da Uenf em março. A obra fala de piratas, missionários e fazendeiros a notáveis professores, artistas e industriais. A abordagem é sobre os imigrantes que escolheram Campos como destino e interpreta a maneira como delinearam oslimites físicos, culturais e sociais do município. A cidade, inclusive, teve um prefeito de origem francesa, Júlio Feydit (entre 1908 e 1910). Ele é também autor do famoso livro “Subsídios para a História dos Campos dos Goytacazes”.
O livro “Os Franceses em Campos dos Goytacazes (Sec. XVI-XXI)”, fruto de um trabalho coletivo, está disponível em formato ebook no site da Editora da Uenf. O lançamento oficial aconteceu no dia 13 de abril, na Cultura Villa Maria.
O livro foi organizado pelo professor francês Laurent Vidal e pelas brasileiras Maria Isabel de Jesus Chrysostomo e Teresa de Jesus Peixoto Faria, em parceria com pesquisadores locais.Na publicação, são abordadas as contribuições dos franceses à modernização da cidade, mas também sua participação na sociedade escravocrata do século XVI ao XIX. É o que explica a professora Maria Isabel de Jesus Chrysostomo, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
— Abordamos a presença francesa ligada a um processo de modernização, vinculada à questão do açúcar, às modas e ao comércio. Mas o que quisemos trazer em alguns artigos é que não era só isso. A imigração dos franceses para Campos é marcada por vários problemas. Não podemos esquecer que, do século XVI até final do XIX, há uma sociedade escravocrata, seletiva, em que muitas das contradições políticas e sociais vão permanecer. A presença francesa não altera esse quadro, mas corrobora e participa — disse Maria Isabel.
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A travessia do Rio Paraíba do Sul, que hoje não conta com a interditada Ponte Barcelos Martins, foi facilitada pela criação do francês Júlio Lambert. Representante do consulado francês, ele criou na cidade um novo sistema de transporte fluvial: a barca “Pêndula”, que transportava passageiros, animais e cargas em geral utilizando a força da correnteza do rio e sendo guiada por cabos presos às margens, semelhante a um pêndulo.
Laurent Vidal, professor da Universidade deLa Rochelle, contou que a ideia do livro começou com uma visita ao Arquivo Público Municipal, no distrito de Tocos, onde teve contato com a história dos franceses na cidade e na região.
— Decidimos vir para Campos em 2009 para conhecer o Arquivo Público Municipal, na época administrado pelo Carlos Freitas, que explicou sobre a memória e a presença de franceses no município. Nesta primeira e rápida estadia, nos damos conta que havia, não só em Campos, mas na região, um núcleo de franceses. Foi aí que começou o interesse pela questão da presença francesa na região de Campos. Mas o projeto do livro, que é coletivo, foi estruturado em 2020 — falou Laurent.
A professora Teresa de Jesus Peixoto Faria, da Uenf, destaca a importância da colaboração das instituições de Campos responsáveis pela preservação da história local.
— Para mim, o importante nesse trabalho foi a integração com outras instituições de Campos, como o Arquivo Público, o Museu Histórico, Instituto Histórico e Geográfico. Tivemos pesquisadores, não só acadêmicos, mas outras pessoas também envolvidas. E a Uenf, que nos apoiou com toda sua estrutura, reforçou muito — disse Teresa.
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A obra também tem a participação do historiador e escritor Arthur Soffiati. Ao explicar como colaborou para a cretização do livro, ele enumerou sua ação: “Primeiro, delimitei o território a ser estudado com um artigo sobre a “Ecorregião de São Tomé”; depois, dentro desse território, escrevi sobre a passagem do botânico francês Auguste de Saint-Hilaire em Itapemirim, completando o texto com verbete sobre o lugar pelo francês Milliet de Saint-Adolphe”.
As outras colaborações de Soffiati foram um texto sobre o projeto de desenvolvimento para Campos e região por Charles Ribeyrolles, quando ele passou por aqui, além de um capítulo sobre a visita que Paul Claudel e Darius Milhaud fizeram a Campos em 2917. “Por fim, uma breve nota sobre Jean Leblanc, que foi meu professor de francês durante seis anos”, conta.
Quem vai ao Museu Histórico de Campos, no centro da cidade, pode se deparar com o quadro “Voluntários da Pátria”, que retrata a partida dos campistas para a Guerra do Paraguai, encomendado por vereadores ao artista franco-brasileiroClóvis Arrault no século XIX. Os voluntários viraram nome de rua no centro da cidade e Clóvis Arrault no Parque João Maria.