Manifestantes protestam contra o racismo em frente à Câmara Municipal de Campos
Gabriel Torres 03/04/2025 18:18 - Atualizado em 03/04/2025 20:00
  • Fotos: Rodrigo Silveira

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Manifestantes realizaram um protesto contra o racismo, no início da noite desta quinta-feira (3), na região da Praça do Liceu, em frente à Câmara Municipal de Campos e à sede da OAB Campos. Segundo os manifestantes, o ato acontece devido à falta de políticas públicas voltadas à população negra e ao racismo estrutural no município. O protesto foi organizado pela Frente Antirracista de Campos e, segundo a Polícia Militar, cerca de 60 pessoas estiveram presentes.
Recentemente, uma lei sobre o combate a linguagens racistas nas escolas municipais foi vetada pelo prefeito Wladimir Garotinho e o veto foi mantido pela Câmara. Dois dias depois, ganhou repercussão nacional o ataque racista do advogado José Francisco Abud contra a juíza Helenice Rangel, da 3ª Vara Cívil de Campos.
A socióloga Simone Pedro destacou durante o protesto que os episódios de racismo recentes não são isolados, mas fruto da cultura local atrasada. "Não é exatamente contra o veto do prefeito, até porque o movimento não conhece os detalhes desse projeto de lei. Esse movimento está acontecendo por entender que os episódios de racismo que estamos assistindo são resultado de uma cultura local extremamente racista. Campos está mais do que atrasada pra construir um projeto de educação antirracista", afirmou Simone.
O professor Léo Zanzi, militante da Frente Antirracista de Campos, afirmou que o projeto não foi apresentado a população, embora reconheça o teor do combate ao racismo. "A gente até tentou saber qual é, mas eles não nos forneceram o projeto ainda. Mas sabemos que tem, sim, algumas coisas que dialogam com a promoção da igualdade racial e com o combate ao racismo na escola", falou.
Já a professora Lucia Talabi questionou a falta de diálogo com a população na formulação das leis. Segundo ela, o movimento negro da cidade deveria ter sido ouvido. "Inventar agora uma lei feita na Câmara, desconhecida, que a gente não sabe o que tem. Não foi colocada em transparência, para a ciência da população em geral, população negra, os movimentos negros. Ninguém consultou. Querem falar de nós sem nós", disse Lúcia.
O projeto de lei em questão era de autoria do vereador Abdu Neme (PL) e dispunha sobre o combate a linguagens racistas nas escolas municipais. Depois de aprovado pela Câmara, foi vetado pelo prefeito. Quando retornou ao Legislativo, a maioria dos parlamentares votou pela manutenção do veto na sessão de 18 de março, alegando falta de previsão orçamentária.
Dois dias depois, em 20 de março, ganhou repercussão nacional o ataque racista do advogado José Francisco Abud contra a juíza Helenice Rangel, titular da 3ª Vara Cível de Campos. Em uma petição judicial, José Francisco se referiu à juíza como uma “magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites”, além de utilizar expressões como “bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho”. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro pediu a suspensão preventiva das atividades de José Francisco Abud e a exclusão do advogado de seus quadros.

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