Ingrid Silva
18/03/2026 10:08 - Atualizado em 18/03/2026 10:10
Situação de abandono do Morro do Itaoca é alvo de reclamações em Campos
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Montagem: Folha da Manhã
Desde o ano passado, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Itaoca, conhecida como Morro do Itaoca, têm sido alvo de reclamações devido ao estado de abandono em que se encontrou em diversos momentos e situação ainda é motivo de denúncias. Pensado em ser um ambiente de esporte e turismo de Campos, o local já apresentou, várias vezes, mato alto que pode dificultar a visão de quem passa por lá, além de banheiros precários e lixos jogados na mata. E, além disso, atualmente não há guarda-parque, profissional que ajudaria atuando diretamente na preservação de recursos naturais e culturais, prevenção de incêndios, fiscalização e segurança dos visitantes.
O caso foi denunciado diversas vezes, seja em reportagens, redes sociais ou até mesmo formalmente. E cada vez fica mais difícil realizar algum trabalho, evento ou exercício no local que deveria ser para turismo e atividades ao ar livre, como apontado pela profissional de Educação Física Danilla de Oliveira, que tem um projeto voltado para o ecoturismo em Campos e região, o Maha Flow. Ela frequenta o Morro do Itaoca recorrentemente e já fez pequenas excursões na área com grupos voltados para o projeto, onde percebeu toda a situação e também denunciou em outros momentos entre o ano passado e este ano.
“O Itaoca é um dos pontos turísticos de Campos. Se você parar para pensar, o campista não tem muitas opções, a gente tem opções, mas que não são valorizadas dentro da cidade. Então, os locais ficam abandonados, porque, por exemplo, o Morro do Itaoca é um local de ecoturismo e pode ser explorado de várias formas, é o local mais alto da cidade. Ele é um local que você pode explorar para esse lado do turismo, do turismo de aventura, só que lá é abandonado, lá você não tem uma pessoa que trabalhe no local para orientar as pessoas, não dá nenhum tipo de segurança”, explica Danilla, que está realizando treinamento para montanha e esteve no Morro quando estava tomado de mato, denunciando o fato que foi resolvido depois de um tempo de reclamações.
Mato alto no Morro do Itaoca no início de 2026
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Reprodução
A especialista em atividades ao ar livre também ressaltou que, em sua visão, há um problema na gestão quanto a essa falta de cuidado com os locais turísticos do município, lembrando ainda de quando realizou denúncias e que, só assim, depois de muito alcance, a situação foi resolvida, tanto do mato alto quanto da precariedade dos banheiros na área.
“Não é o que está faltando lá para mim, o problema é a gestão, de quem está à frente, as secretarias que na verdade não tomam conta dali, abandonaram, só acontece quando tem uma denúncia. Sempre para o negócio andar lá, a gente tem que estar denunciando para acontecer alguma coisa igual. Eu fiz uma para a TV no ano passado, com vídeos do banheiro podre, sem porta, sem fechadura (...) Isso é uma falta de gestão, que não olha para aquilo como algo de valor”, aponta Danilla, que ainda afirmou a falta de guarda-parque na região.
Já o funcionário público e ciclista Sidnei Barreto Siqueira, que conhece e frequenta a região da Serra do Itaoca há mais de 50 anos, falou sobre diversas problemáticas que têm observado na área e, principalmente a questão de lixos jogados na estrada e mata, além de outras degradações ambientais observadas.
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“O turismo e a prática de atividades como mountain bike, motocross e outras, causam degradação ambiental, com abertura de trilhas na mata, sem qualquer fiscalização pelos órgãos públicos. A visitação pública em grande número, desordenada, com lixo jogado na mata e a ausência de banheiros químicos são os maiores problemas atualmente. Pela experiência de mais de 5 décadas, percebo que aquele parque ambiental não vai resistir (...) Em meados do ano passado, vi um homem cortando árvores com uma motosserra na altura de 1,5 km da estrada, indicando que mais uma trilha seria aberta. Denunciei ao Inea e a outro órgão estatal. Parece que deu resultado sobre aquele ponto que estava sendo degradado, mas outras degradações ficaram na omissão do Poder Público”, relata.
O ciclista também tem observado a diminuição de animais silvestres na serra, o que há anos era possível de reparar com mais frequência. Contudo, outro caso testemunhado por Sidnei é a quantidade de acidentes com bicicleta e, segundo ele, isso acontece devido à falta de fiscalização e insuficiência de sinalização na estrada do Morro. Ele ainda ressaltou sobre o que precisa ser melhorado na região.
“As medidas a serem tomadas são ações visando à preservação. A visitação tem que ser fiscalizada com o objetivo de evitar mais degradação, como lixo na área, práticas predatórias e desordenadas de atividades com veículos automotores, que despejam poluição na área; a retomada de uma área ocupada (imagina-se sem autorização), nomeada de "Bosque Pão H". Os órgãos estatais têm essa obrigação para manter aquele parque de forma sustentável, preservando-se a fauna e a flora e ao mesmo tempo, garantindo que as futuras gerações possam usufruir daquela maravilha ambiental”, finaliza o funcionário público.
Tanto a Danilla quanto o Sidnei tem feito registros da situação nas redes sociais. A situação do mato, até então, foi resolvida. Porém, também já houve a resolução em outros momentos e depois a problemática voltou a acontecer. A Folha entrou em contato com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que afirmou sobre a competência administrativa, licenciamento e fiscalização ambiental ser de responsabilidade exclusiva da Prefeitura por estar em uma Área de Proteção Ambiental (APA) municipal.
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Depois de interdições devido a uma queda de barreira e incêndio nos últimos anos, foi divulgado, em fevereiro de 2026, que o Morro passaria por processos de revitalização. Segundo a secretaria de Obras, na época, os projetos estão prontos e aguardam a liberação dos recursos pela Caixa Econômica Federal, referentes à emenda parlamentar e início das obras estava previsto para o final de fevereiro. Porém, até então, nada foi feito.
Ao ser questionada pela equipe de reportagem na última semana, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade informou, através de nota, que o Morro do Itaoca passará por obras de melhoria, que já foram licitadas e serão executadas por meio de recursos provenientes de emenda parlamentar, sob coordenação da Secretaria Municipal de Turismo. O objetivo, segundo a pasta, é qualificar a infraestrutura do local e fortalecer o potencial turístico, esportivo e ambiental da área.
"Em relação à manutenção, esclarece que a limpeza da área é realizada periodicamente, com intervalo médio de 60 dias, além da presença de um funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que atua às terças, quintas, sextas e aos finais de semana e feriados, das 8h às 16h, realizando serviços de limpeza, conservação e manutenção dos banheiros e entorno", diz parte da nota.
Atualmente, segundo a secretaria, os banheiros do local estão em funcionamento e também passarão por reformas durante as obras que serão realizadas no espaço, "garantindo melhores condições de uso aos visitantes". Sobre a denúncia de cortes de árvores na área, a SEMMAS ressaltou que qualquer intervenção na vegetação depende de autorização dos órgãos ambientais competentes. A pasta afirmou que a situação será verificada e, caso seja constatada qualquer intervenção sem a devida autorização, serão adotadas as medidas cabíveis.
"A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade reforça que reconhece a importância do Morro do Itaoca como um dos principais pontos naturais, turísticos e esportivos da cidade e destaca que as novas intervenções fazem parte de um conjunto de ações voltadas à valorização, preservação ambiental e melhoria da estrutura para moradores e visitantes. E que segue acompanhando as demandas relacionadas ao local e reforça a importância da preservação ambiental e do uso responsável do espaço por parte dos frequentadores", finaliza a nota.