Com 30 empresas instaladas e sendo considerado o 2º maior do país em movimentação de cargas, o Porto do Açu tem estado em frequente evolução. Nesta quarta-feira (1º), a Folha fez uma visita ao complexo porto-indústria para ver de perto todo trabalho desenvolvido ao longo dos anos de atividade e conhecer as metas futuras, que integram o projeto "Ambição 2050".
— Nós (enquanto Porto do Açu) temos a missão de ser o administrador portuário. A empresa que coordena e desenvolve esse território atraindo investimentos, atraindo empresas. A gente licenciou no ano passado o hub de produção de ferro metálico, são 10 milhões de toneladas/ano. São quatro unidades de produção de ferro metálico. Uma tecnologia utilizando inicialmente o gás natural, dentro da nova indústria Brasil, que é o fomento a uma indústria de baixo carbono. Essa infraestrutura integrada e sustentável, ela é transversal para o plano de negócio da empresa. Então, por isso, o Porto se coloca como sendo o porto da transição energética no Brasil. A gente está atraindo toda essa indústria de baixo carbono justamente para o nosso território, aproveitando que o Rio de Janeiro produz 70% do gás natural no país — explicou o gerente de Relacionamento com a Comunidade do Porto do Açu, Wanderson Souza.
Só em 2025, o Porto registrou 89 milhões de toneladas movimentadas, alta de 14% em relação ao ano anterior e volume recorde do complexo porto-indústria. O desempenho foi puxado principalmente pelos segmentos de petróleo, minério de ferro e cargas gerais. No último sábado (28), foi realizada a primeira operação de transbordo de petróleo da ExxonMobil no Brasil, movimentando um milhão de barris do Campo de Bacalhau no Terminal de Petróleo da Vast (T-Oil), no Porto do Açu. A operação foi realizada pela Vast Infraestrutura.
Além do T-Oil, o Terminal Multicargas (T-Mult) registrou o crescimento de 32% entre 2016 e 2025, e recentemente passou por expansão, com 500 metros de cais e um 2º berço para operar dois navios simultaneamente. E há ainda 420 mil metros quadrados preparados para novas expansões.
— O Terminal Multicargas é operado pela própria Porto do Açu e tem 360 mil metros quadrados de área alfandegada. Nós fizemos recentemente a ampliação de nosso berço, o que vai nos permitir operar dois navios de grande porte simultaneamente. Foi um investimento na ordem de R$ 100 milhões, para a gente poder conseguir operar simultaneamente dois navios. Adquirimos, também, um novo guindaste, que está sendo produzido na Alemanha e chega em junho, para a gente poder dar produtividade e isso vai trazer ainda mais competitividade para a gente. Os navios vão ficar esperando menos tempo para atracar aqui e a gente vai ter condição de operar dois simultaneamente — informou o gerente geral do Terminal Multicargas do Porto, Gustavo Amaral, ao acrescentar que em breve o T-Mult irá receber uma carga de açúcar pela primeira vez.
“Ambição 2050”
O “Ambição 2050” consiste na idealização do que o Porto quer construir daqui para frente.
— No último ano, a gente viu uma necessidade de também falar sobre a nossa ambição. A gente chama de Ambição 2050, que é o que a gente quer construir daqui para frente falando muito sobre essa pegada mais ESG, pensando no nosso compromisso aqui de desenvolvimento inclusive no território que a gente está instalado. Somos conexão de pessoas, natureza e desenvolvimento do impacto que a gente quer gerar por estar aqui, para as pessoas, para a natureza. E a gente vem trabalhando bastante essa narrativa, pensando que a gente sim quer ser um agente de transformação social, desenvolvimento econômico e quer promover uma economia positiva para a natureza — disse Fernanda Corrêa, assessora de Marketing, Comunicação e Imprensa do Porto do Açu.