Duda Beat mostra o íntimo da sua pluralidade musical em show acústico no Teatro Firjan Sesi Campos
Matheus Berriel 13/03/2026 12:10 - Atualizado em 13/03/2026 13:50
Foto: Bianca Trindade
A cantora e compositora pernambucana Duda Beat está entre os artistas do Brasil que obtiveram uma rápida ascensão de carreira nos últimos tempos. Num intervalo de apenas oito anos, ela passou de revelação, como foi reconhecida em 2018 pelo Troféu Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), a referência de alguém que domina a pluralidade da música brasileira e faz dela um mix para a construção da sua obra. Somam-se a isso a sua apurada extensão vocal e a busca por referências em quem veio antes. Uma das inspirações é o conterrâneo Chico Science, a quem Duda teve oportunidade de homenagear desfilando pela escola de samba Grande Rio, no Carnaval carioca de 2025. No mesmo ano, recebeu convite para ser jurada do reality "The Voice Brasil", no SBT. Todos esses assuntos foram comentados numa entrevista a este blog e ao portal Descubra Campos, na noite de quinta-feira (13), logo após o show realizado no Teatro Firjan Sesi Campos. Confira abaixo a entrevista completa.
Blog do Matheus Berriel — É de conhecimento público a influência de Chico Science e do manguebeat na sua trajetória. Como foi para você, sendo uma artista pernambucana e fã desse movimento, desfilar pela Grande Rio homenageando o manguebeat?
Duda Beat — Foi muito importante! Senti cada coisa que estava escrita no samba-enredo. Eu ainda estava imaginando como ia ser. Foi a primeira vez que fiz isso. Eu vivi muito o Carnaval de rua do Recife, que é muito diferente do Carnaval da Sapucaí, no Rio de Janeiro. Quando cheguei lá, eu senti a emoção que as pessoas falam que existem e que sentem. Eu nunca tinha vivido aquilo. Fiquei num carro alegórico e sentindo que é realmente isso. Você sente as pessoas vibrando! (Foi incrível) estar ali naquele carro com vários outros artistas de Pernambuco ao meu lado, pessoas que admiro tanto. A filha do Chico (Science) estava no carro da frente. A gente teve o prazer de trocar e conversar um pouco sobre, e foi muito emocionante para mim! Sou muito fã do Chico Science, que é um grande ídolo, não só para mim, mas para todo mundo de Recife. Tem uma frase que ele sempre falava: "Modernizar o passado é uma evolução musical", e eu tento muito fazer isso na minha vida e na minha música. Eu tento modernizar, pegar um ritmo, um piseiro, e fazer do meu jeitinho, colocar um negócio diferente. Sigo muito esse lema dele. Realmente, é muito minha referência, e (o desfile) foi muito feliz.
Blog do Matheus Berriel — Em 2018, seu álbum de estreia foi incluído na lista dos 10 melhores discos nacionais do ano pela revista "Rolling Stone". Sete anos depois, em 2025, você estreou como jurada do "The Voice Brasil", já tendo uma carreira consolidada e agora ajudando a revelar novos talentos. Como tem sido essa experiência?
Duda Beat — Tem sido muito maravilhoso. O Brasil é gigante, cheio de talentos, pessoas que cantam muito. Eu aprendo muito com a galera da minha equipe, com os meus colegas. Também aprendo muito com os meus pares, que estão sentados nas cadeiras comigo. É uma super responsabilidade. Imagina você não virar uma cadeira para alguém! Às vezes, nem falta nada, a pessoa canta absurdamente bem. É só porque às vezes não tem um negócio... Mas, todo mundo que está ali canta demais. Então, é uma super responsabilidade. Mas, estou encarando com muito amor e carinho, tentando colocar ali o máximo da minha visão. Eu sei que, na última edição, muita gente não concordou com algumas escolhas que eu fiz, mas segui o meu coração. Eu quis ver o todo, quis ver além daquele programa também. Estou muito feliz com a confiança do (diretor) Boninho e dos outros técnicos para eu estar naquela posição maravilhosa, de muito prestígio e privilégio. Estou muito feliz!
Descubra Campos — Nessa turnê pelos teatros da rede Firjan Sesi, você está fazendo um show mais intimista, acústico. Como tem sido isso para uma pessoa que construiu a sua carreira em grandes palcos e nos festivais? Para você, tem sido um reencontro com a Duda de algum lugar ou é tudo novidade?
Duda Beat — É um reencontro com a Duda que faz as canções sozinha, organicamente... Escreve tudo aquilo, apaga, corrige. Está sendo muito gostoso ocupar o lugar do teatro. É um lugar onde eu sempre quis estar. Falei um pouco sobre isso no show. É muito maravilhoso, porque, de fato, eu mostro um pouquinho de como as canções são feitas. Eu acho que essa conexão com o público acaba ficando mais forte ainda, porque as pessoas conseguem entender exatamente como (a obra) nasce. Porque nasce assim: eu escrevo a letra e a melodia; depois eu vou no Tomás (Tróia, produtor musical e músico), que começa a dedilhar as coisas no violão, e as canções nascem. Então, toda roupa da canção, os arranjos, essas coisas vêm muito depois. Eu queria que os fãs entendessem essa incubadora; que o público fizesse parte, percebesse e entendesse como, de fato, as coisas nascem. É tão honesto, tão verdadeiro, e toca tanto no coração das pessoas, assim como no meu.

Descubra Campos — Você fala muito do amor. É considerada a rainha da sofrência, mas uma sofrência pop, e você faz essa mistura muito bem. O Brasil é esse caldeirão. Você acredita que, hoje, o público recebe muito bem essa mistura de sons e ritmos que nós somos?
Duda Beat — Eu acho que, cada vez mais, recebe melhor. A gente é isso: uma mistura. Todo mundo é muito eclético na música, gosta de muitos tipos. Tenho certeza que você gosta de forró, axé, sertanejo, rock, pop... E eu também. E eu fico pensando às vezes: poxa, eu sempre quis ser uma cantora. Vou me limitar só a um gênero, se eu gosto de tantos outros gêneros? Como eu posso fazer isso? Como eu posso passear por todos eles sem perder a minha essência? E eu acho que a essência está exatamente na canção. A canção é sobre o que eu vivi e senti na minha vida, principalmente. (Meu trabalho) é muito pessoal e honesto. E, com essas roupagens, eu consigo brincar e ir para os lugares que eu quero. Acho que a gente tem que se divertir. Essa é a coisa mais importante: se divertir. Eu sou super fã, por exemplo, de System of a Down. Sou muito fã, e queria muito ter um new metal no meu disco. Então, falei: vou fazer! Eu gosto disso e sinto que a galera entende muito, compra a minha ideia. Essa mistura é uma característica minha. Às vezes eu entro no estúdio e fico pensando se a gente juntar um reggaeton com um dubzão, se vai dar certo. E os meninos ficam: "Vamos tentar, vamos ver" (risos). A arte é muito livre, e eu sou muito feliz por ter o privilégio de passear pelos gêneros que eu amo ouvir e fazer a galera passear junto comigo.
Foto: Bianca Trindade

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