Na Rua Gil de Gois: obra na parte interna ameaça imóvel de interesse histórico
Mais um imóvel de interesse histórico estaria ameaçado em Campos. O imóvel, localizado na Rua Gil de Gois, em área do quadrilátero histórico da cidade, começou a ser demolido pela parte interna. Com a fachada ainda preservada, o trabalho estaria sendo realizado sem autorização do Conselho da Prevervação do Patrimonio Arquitetônico Municipal (Coppam). No entanto, a Secretaria de Obras informou, em nota, que o prédio não consta na listagem do Coppam.
De acordo com o arquiteto e urbanista, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes (IHGCG), com cadeira no Coppam, Renato Siqueira, os trabalhos dentro do imóvel começaram há aproximadamente há um tempo. O imóvel não está tombado ou tutelado pela Resolução 006/2015, que tombou diversos imóveis na Rua Tenente Coronel Cardoso, foi o que explicou Renato.
"o imóvel não está no quadrilátero histórico e quando a gente fala em tutela, existem elementos básicos para ocorrer, como processo de tombamento e oferecer ciência ao proprietário para dar oportunidade ao contraditório. O processo de tutela para tombamento é um procedimento administrativo (ou, às vezes, judicial) conduzido pelo Poder Público (União, Estados ou Municípios) com o objetivo de proteger bens móveis ou imóveis de valor histórico", explicou Renato.
Segundo Renato, é importante dizer que o tipo construtivo desta edificação não possui elementos estruturais de concreto armado. "A edificação sem os elementos internos de sustentação e de travamento de sua alvenaria auto-portante, corre sério risco de desabar, se avançar a degradação, especialmente pela aparente ausência dos elementos estruturais auto-portantes que havia e, de sua cobertura, cujo madeiramento também era elemento importante de travamento das paredes", ressaltou.
Morador da área há 40 anos, José Carlos Queiroz Ferreira, de 72 anos, comenta sobre a história do imóvel. De acordo com ele, o imóvel já foi um hotel. "Esse prédio na época da estação (Leopoldina) era um hotel. Com o tempo o dono faleceu, os filhos tomaram conta e o acabou o hotel, mas continuou com loja de luminárias na parte de baixo", contou.
De acordo com a Secretaria de Obras, o fiscal esteve no local, realizou a notificação e aplicou multa, estabelecendo prazo para a regularização da situação. "A pasta informa ainda que se trata de uma obra de reforma, não havendo previsão de demolição. Segundo a análise técnica e a fiscalização, o imóvel não consta na listagem do Coppam", finalizou a nota.
A equipe de reportagem da Folha não conseguiu contato com a família responsável pelo imóvel.