Daniel Vorcaro usou Usina Cambahyba para inflar balanço do Master
Hevertton Luna 16/03/2026 16:27 - Atualizado em 16/03/2026 16:48
Daniel Vorcaro e antiga Usina Cambahyba
Daniel Vorcaro e antiga Usina Cambahyba / Divulgação
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizou operações de compra e venda de precatórios da Usina Fazenda Cambahyba, em Campos. A movimentação gerou lucro de R$ 124 milhões. O complexo agroindustrial campista, segundo o ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra, foi um dos locais de violência política durante a Ditadura Militar.

Ao todo, o Banco Master investiu R$ 122,2 milhões em precatórios do complexo agroindustrial de Campos entre os meses de março de 2021 e junho de 2022. Com a negiciação, ele teria faturado R$ 247 milhões com os precatórios da usina, com lucro de R$ 124 milhões.

A estratégia de Vorcaro de movimentar direitos creditórios de diversas usinas falidas, como a de Cambahyba, era inflar o do Banco Master e permitir que o Master pudesse emitir mais CDBs (Certificado de Depósito Bancário).

Segundo o portal Poder360, os dados foram obtidos por meio da quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-banqueiro pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as indenizações só poderiam ser pagas se as empresas comprovassem os danos sofridos. Depois dessa decisão, alguns dos processos ficaram travados e muitos dos precatórios foram revendidos no mercado como “títulos podres”, de liquidação incerta.

História

A Usina Fazenda Cambahyba ocupava uma área de sete fazendas em 3.500 hectares e era uma das principais propriedades agroindustriais do Estado. Durante a Comissão Nacional da Verdade (CNV), o ex-delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) Cláudio Antônio Guerra afirmou que, entre os anos de 1973 a 1975, o local serviu para a ocultação de cadáveres durante a Ditadura Militar.

Segundo Guerra, ele “atendia a chamados do capitão de cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira e recebia os corpos diretamente da equipe do militar”. Segundo relatório da CNV, os cadáveres eram de presos políticos recolhidos na Casa da Morte, centro clandestino de tortura em Petrópolis (RJ).

Em 2012, após duas décadas de disputas judiciais, o complexo agroindustrial foi considerado improdutivo pela Justiça e foi cedido ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Após este processo, o assentamento de 300 famílias do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) foi formalizado em 2023. Já em 2024, a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) tombou a usina como patrimônio histórico do Estado.
Com informações do portal Poder360

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