Arthur Soffiati - As regiões metropolitanas do Rio de Janeiro
* Arthur Soffiati 21/02/2026 08:37 - Atualizado em 21/02/2026 08:37
Em torno da cidade do Rio de Janeiro, formou-se uma região metropolitana, ou seja, um conglomerado de cidades (sedes de municípios). Metrópoles assim já existem no Brasil. São Paulo, por exemplo, chamada de Grande São Paulo. Assim, o Grande Rio, que se metropolizou abarcando cidades da Baixada Fluminense e a Grande Niterói, do outro lado da baía de Guanabara. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi instituída pela Lei Complementar nº 20, de 1 de julho de 1974. Ela engloba 23 municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Paracambi, Seropédica, Itaguaí, Magé, Guapimirim, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Mangaratiba e Saquarema. Não existe continuidade urbana entre todos os municípios nem aceitação de pertencimento, como os casos de Mangaratiba e Saquarema. Em direção à zona serrana, o Grande Rio já lançou seus tentáculos em direção à Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
Agora, alguns estudiosos identificam outra região metropolitana no Estado do Rio de Janeiro. Ela teria se formado em torno da exploração de petróleo na plataforma continental, a famosa Bacia de Campos. Doze municípios a integram: São Francisco de Itabapoana, São João da Barra, Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus, Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Armação dos Búzios, Itaboraí, Arraial do Cabo e Maricá. Já se pode falar numa segunda região metropolitana envolvendo as cidades da Região dos Lagos, Unamar (distrito), Barra de São João (distrito), Rio das Ostras e Macaé. Existem intervalos entre Macaé e Campos. Quissamã, Carapebus, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, que ainda não estão interligadas por um continuum urbano.
Os complexos portuários do Açu (já em funcionamento) e de Kennedy (ainda em fase de implantação) são indutores de urbanização. O Porto do Açu pode urbanizar todo o quinto distrito de São João da Barra, enquanto que o Porto Central (Kennedy) pode promover a interligação de São Francisco de Itabapoana, Presidente Kennedy, Marataízes, Itapemirim, Cachoeiro do Itapemirim, Piúma, Anchieta, Meaípe, Guarapari e Vitória. Três zonas metropolitanas se formariam em dois estados, constituindo uma megalópole com poucos intervalos entre elas.
As metrópoles e as megalópoles entusiasmam os otimistas, os ardorosos defensores do “progresso”. De fato, as metrópoles e as megalópoles se formaram em diversos pontos do planeta. Toynbee, historiador que admiro, reconhecia já uma ecumenópole, mas de modo pessimista. Roberto Vacca, numa fábula, mostrou como uma metrópole é vulnerável.
Tomemos as vulnerabilidades da região metropolitana do Rio de Janeiro:
1- Água (a dependência do rio Paraíba do Sul, que não consegue mais atender a São Paulo e Rio de Janeiro; agora também a dependência dos rios Itabapoana, Macaé e São João);
2- Esgoto (decorrente da água usada em grande volume, não comporta total tratamento e polui rios, degradando-os);
3- resíduos sólidos (conhecidos como lixo, são acumulados em determinados locais conhecidos como vazadouros, contaminam o lençol freático, são fonte de doença e não absorvidos por aterros sanitários, como dispõe a lei);
4- Poluição do ar (decorrente da circulação de veículos e de indústrias);
5- Degradação de ecossistemas nativos (rios, manguezais, vegetação de restinga, fauna nativa, enfim, bolsões de natureza que estão desparecendo pelo avanço da urbanização);
6- Desigualdades sociais (são notórias, em todas as metrópoles, as desigualdades sociais, que se manifestam em emprego e renda, moradia, saúde, transportes);
7- violência (de certa forma, associa-se às desigualdades sociais e já está presente na Região dos Lagos e Macaé);
8- turismo (veja-se o impacto do turismo na Região dos Lagos e na grande Guarapari).
A nova região metropolitana do Rio de Janeiro tem população aproximada de 1,3 milhão de habitantes e três capitais regionais (Cabo Frio, Macaé e Campos). Ainda existem áreas mais ou menos livres entre os conjuntos urbanos. Parece que os apologistas de uma nova metrópole desejam vê-las ocupadas pela cidade. Para o bem de todos, áreas livres devem ser protegidas por lei. Elas são imprescindíveis à agropecuária, sobretudo produtora de alimento, e à proteção ambiental. Hoje, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba é uma zona-tampão entre Macaé e Quissamã. O Parque Estadual da Lagoa do Açu reduz o impacto entre Farol de São Tomé e São João da Barra.

A água em quantidade e em qualidade é fundamental para a cidade e para o campo. Estudos mostram que a água doce está desaparecendo dos continentes. As cidades do vale do Paraíba do Sul usam sua água e a poluem. O Porto do Açu se abastece no aquífero Emboré. O Porto Central deverá usar água do rio Itabapoana. Os entusiastas da megalópole deviam considerar esses fatores em suas análises apologéticas em vez de esperarem linhas aéreas ligando Campos a Paris.

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