Dora Paula Paes
18/04/2026 08:14 - Atualizado em 18/04/2026 08:14
Rodrigo Silveira
Sempre incomodado quando se referem à Campos como a “cidade do já teve”, o fotógrafo Dibs Hauaji está pronto para compartilhar com as novas gerações um dos seus tesouros. Seu foco no momento, aos 88 anos, é a preparação de uma exposição para mostrar o resultado de um hobby que cultiva há 55 anos. Dibs coleciona reproduções de fotos que contam a evolução urbanística da cidade nos últimos 200 anos. Com um acervo de quase mil imagens, ele selecionou 200 para a exposição, ainda sem data, de uma Campos irreconhecível.
“Meu interesse é puramente mostrar aos jovens a beleza que era Campos e, quem sabe, despertar nessa juventude o desejo de lutar pela preservação do que ainda resta. Me incomoda muito quando falam que Campos é a cidade do já teve”, disse Dibs em meio ao material pronto para a exposição.
Ele levou 55 anos para juntar tamanho material. Junto com seu fiel escudeiro Bira, Dibs recuperou essas imagens, as coloriu e as transformou em telas.
“Eu quero muito que a história de Campos não desapareça. Muita gente não conhece a beleza que era Campos e sua importância desde o Brasil Império. Então, estou fazendo essa exposição pensando nos estudantes. Eu estou com 88 anos, quero viver até os 100, mas posso ir embora amanhã, porém quero deixar esse legado, não é por dinheiro, até porque esse acervo não tem preço. Eu estou juntando essas imagens há 55 anos”, conta ele, que já está no Guiness Book como o maior colecionador de câmeras fotográficas da América Latina.
Seu desejo é que a exposição seja realizada no Palácio da Cultura. Ele explica o motivo: o local é de fácil acesso para o maior número possível de estudantes. “Seria um sonho que as escolas pudessem levar os alunos para essa viagem no passado de Campos. É uma honra para mim poder ofertar essa viagem no tempo”, ressalta.
Como ele conseguiu um acervo tão precioso, Dibs conta que foi “mendigando”. Toda vez que chegava na casa de alguém e via uma foto antiga de Campos pedia para reproduzir através da sua lente as fotos em preto e branco. E assim, se foram 55 anos. Ele lembra que o maior acervo que encontrou e teve a honra de poder reproduzir pertencia a Dario Marinho, que administrava a extinta Usina Santo Antônio, e vem a ser avô da colunista social Hermínia Sepúlveda.
Rodrigo Silveira
Dibs fica encantado ao falar de cada imagem e contar a história de cada uma, como uma criança que mostra o primeiro álbum de figurinhas às visitas. Ele mostra com carinho imagens nunca vistas pela maioria da população de Campos - hoje em torno de 500 mil habitantes. Nesse caso, são construções de pontes, tem às 16 faces da praça do Santíssimo Salvador, imagens de 20 usinas que já funcionaram em Campos e dezenas de retratos do belo casario da cidade que foi se perdendo ao longo do tempo.