Dora Paula Paes
04/05/2026 18:24 - Atualizado em 04/05/2026 18:24
Observação na área do Farolzinho
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Divulgação/Foto: Samir Mansur
O Parque Estadual da Lagoa do Açu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), no Norte Fluminense, recebeu a visita dos cientistas Scott Roberts, fundador e presidente da Explore Scientific; Fernando Fabbiani, representante da DarkSky Uruguai; e do físico brasileiro e professor da Uenf, Marcelo de Oliveira Souza, que desenvolveu uma rota mais curta para chegar ao Planeta Marte. A equipe participou de uma observação noturna na praia do Farolzinho, um atrativo da unidade de conservação, no final de abril. Os cientistas atestam potencial para astroturismo.
O parque apresenta um grande potencial para ser certificado como um Dark Sky Park (local de observação de céu escuro). Graças a sua localização geográfica (está situado em uma planície), o parque proporciona aos observadores noturnos uma ampla visão do horizonte, o que contribui, por exemplo, para a visualização simultânea das constelações Óriun e Escorpião, uma condição rara, pois esses conjuntos estelares estão localizados em lados opostos no ambiente celeste. Além disso, é uma região onde a escuridão natural da noite é ainda bem preservada o que contribui para a visualização das estrelas e planetas.
- Evitar o excesso de luminosidade para preservar a escuridão natural da noite é fundamental pois o céu escuro é um patrimônio científico, ecológico e cultural da humanidade. Hoje, a preservação do céus escuro fomenta o astroturismo, gerando renda em áreas de conservação – destacou o presidente do Inea, Renato Jordão.
Observação na área do Farolzinho
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Divulgação/Foto: Samir Mansur
- Na Praia do Farolzinho é proibido o excesso de luz artificial. Seguindo a Portaria nº11 de 1995 do IBAMA. Isso porque a região é ponto de desova das tartarugas marinhas e a pouca luminosidade favorece esse espetáculo da natureza. Com uma iluminação menos poluente é possível observar planetas, constelações e estrelas, e com isso, pleitear a certificação junto a Dark Sky International – destacou o gestor do Parque Estadual da Lagoa do Açu, Samir Mansur.
- Trata-se de uma região que ainda mantém baixos níveis de poluição luminosa, permitindo a observação de um céu estrelado de alto valor científico, educativo e turístico. O parque apresenta um potencial muito interessante para iniciativas de proteção do céu noturno e para uma certificação internacional como Dark Sky Park – disse Fabbiani.
Os cientistas que estiveram no Parque Estadual da Lagoa do Açu participaram do 18º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica realizado no Município de Campos dos Goytacazes. O evento foi promovido pelo Clube de Astronomia Louis Cruls em comemoração aos seus 30 anos de criação.
Poluição luminosa - A poluição luminosa é causada pelo excesso de luz artificial o que provoca uma desorientação nos animais e altera os ecossistemas, impactando no ciclo de reprodução e migração da fauna e na polinização por insetos.
Constelações - A constelação de Órion é uma das mais conhecidas é visível em ambos os hemisférios. Popularmente chamada de “O Caçador” ou gigante guerreiro, ela é facilmente reconhecível pelas “Três Marias” que formam seu cinturão. Serve como guia de navegação e é referência cultural em diversas mitologias.
A constelação de Escorpião (Scorpius) é uma das 88 constelações catalogadas, figurando como uma das mais antigas e distintas do zodíaco. Ela forma um padrão claro em formato de “S” com uma “cauda” e “ferrão”. (A.N.)