Nuperj analisa capacidade de fixação de riqueza dos municípios do Norte Fluminense
Gabriel Torres 25/03/2026 16:59 - Atualizado em 25/03/2026 16:59
Professor Alcimar Chagas
Professor Alcimar Chagas / Foto: Reprodução.

O Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf divulgou seu relatório sobre a dinâmica econômica dos municípios do Norte Fluminense entre 2019 e 2024. Segundo a análise, a região tem apresentado certa dificuldade no padrão de fixação da riqueza gerada no seu território. Os melhores avaliados neste quesito foram São Fidélis e Conceição de Macabu. O índice foi divulgado pelo coordenador do Nuperj, o economista e professor da Uenf, Alcimar Chagas. 
O objetivo principal é avaliar indicadores econômicos fundamentais de forma a observar os potenciais estratégicos, assim como as fragilidades inibidoras das possibilidades de transformação econômica e bem-estar da população. Segundo o Índice Nuperj de Dinâmica Econômica Local, os resultados apurados indicam elementos inibidores do crescimento sustentado na região.
Nos três primeiros anos da referida análise (2019 a 2021), a região registrou uma classificação de dinâmica econômica regular (índice de 0,4 a 0,6) com desaceleração em 2021, momento crítico da pandemia da Covid-19.
Em 2024, os municípios com Índice de Dinâmica Econômica Local (Indel) acima da média da região foram: São Fidélis com o índice 0,747; Conceição de Macabu com índice0,648; Campos dos Goytacazes com índice 0,643 e Quissamã, com índice 0,636. Todos registraram dinâmica econômica moderada.
Os dois melhores colocados no Indel, São Fidélis e Conceição de Macabu, apresentaram as duas piores posições de Valor Adicionado Fiscal (VAF) per capita. O VAF é a diferença entre as saídas (vendas) e entradas (compras) de mercadorias e serviços de uma empresa em um ano civil, representando o acréscimo de valor gerado no território municipal.
De acordo com o relatório, a análise aponta que o volume de riqueza absoluta não garante a sua fixação automática no sistema econômico, podendo ocorrer fuga de riqueza. "Como exemplo, as cadeias produtivas operam fora do sistema econômico em análise. No caso em avaliado os municípios mais pobres apresentaram os melhores resultados de fixação relativa de riqueza na região", diz o índice sobre a dinâmica econômica local.
Alcimar Chagas analisa que Campos, apesar de possuir um dos maiores PIBs da região Norte Fluminense, não é o município mais rico quando se observa a geração de riqueza por habitante. Segundo ele, a diferença está no tamanho da população e na dinâmica econômica regional, que favorece cidades com menor número de moradores e alto PIB.

“Campos, ao contrário do que muita gente imagina, não é o município mais rico da região Norte Fluminense. Tem realmente um PIB muito elevado, o maior, mas tem uma população muito grande. Quando você divide o PIB pela população, esse valor normalmente é menor do que o de São João da Barra e de Quissamã. Quissamã e São João da Barra têm PIB elevado e população pequena. Campos ocupa o quinto lugar entre os nove municípios em termos de geração de riqueza por indivíduo”, explicou.

De acordo com o economista, a posição de Campos ainda é considerada confortável, principalmente por conta da localização estratégica e da relação com polos econômicos da região.

“Campos não tem grandes projetos como São João da Barra e Macaé, apesar de ser produtor de petróleo, mas a sua localização é estratégica. O município acaba se beneficiando do Porto, porque muita gente que trabalha lá vem morar em Campos, que tem uma estrutura melhor de serviços, e também de Macaé. Parte importante da movimentação do trabalho dessas cidades acaba sendo dirigida para Campos. Isso tem salvado o município, que por outro lado não tem outras atividades econômicas mais substanciais”, afirmou.

Alcimar também destacou que Macaé enfrenta um cenário semelhante, com riqueza concentrada no petróleo, mas com dificuldades estruturais.

“Macaé também vive esse dilema. É um município muito rico por conta do petróleo e tem a base das empresas lá. Entretanto, quando você observa as condições de Macaé, vê que é um município que apresenta muitas dificuldades. Essa é a base da discussão”, disse.

Ao analisar indicadores como emprego no comércio e operações bancárias, o economista aponta que a aparente contradição entre pobreza e movimentação econômica está ligada à informalidade.

“Como um município considerado pobre pode ter bom movimento no comércio e uma movimentação bancária alta? Existe uma contradição, e isso está ligado à informalidade, que pode ser observada quando se analisam as atividades econômicas do município”, concluiu.


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