Maria Laura Gomes
07/03/2026 09:05 - Atualizado em 07/03/2026 09:05
Divulgação/ Copa 2014, Brasil - Maracanã
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Divulgação/ Copa 2014, Brasil - Maracanã
O jornalista e campista Eraldo Leite, uma das referências do jornalismo esportivo brasileiro, estará presente na Copa do Mundo de 2026 como correspondente da Folha da Manhã. O profissional, que já cobriu 11 edições do Mundial pelo rádio, viverá uma nova experiência ao realizar pela primeira vez a cobertura para um jornal impresso. A Copa será realizada de forma conjunta em três países: Estados Unidos, México e Canadá. A partida de abertura está marcada para o dia 12 de junho.
Para Eraldo, o formato do torneio traz novos desafios logísticos e também expectativas sobre a forma de acompanhar os jogos. Segundo ele, a dimensão territorial dos países-sede deve impactar diretamente o trabalho da imprensa. “Eu fiz uma Copa que foi em dois países, em 2002. Ela começou na Coreia do Sul e depois fomos para o Japão, mas não foi ao mesmo tempo. Agora serão jogos da primeira fase acontecendo juntos. A gente ainda está entendendo como será a cobertura. No Qatar foi fácil porque é um país pequeno. Cheguei a cobrir três jogos no mesmo dia. Agora vai ser muito diferente. A gente está na expectativa de como vai ser", explicou o jornalista.
A prioridade da cobertura será acompanhar de perto a Seleção Brasileira e seus adversários na fase de grupos, além das principais seleções do torneio. “No caso do Brasil, iremos dar prioridade para cobrir a seleção e os adversários do grupo, além das equipes mais importantes da competição”, disse.
Questionado sobre todas as Copas que acompanhou, Eraldo destaca a de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, como a mais marcante da carreira. Na ocasião, o Brasil conquistou o Pentacampeonato Mundial. “Foi a Copa mais marcante para mim porque foi a do Penta. Era uma seleção desacreditada, mas que ganhou todos os jogos e tinha muitos jogadores importantes. A cobertura era muito entrosada entre os jornalistas brasileiros e a assessoria da CBF. Eles abriam muito espaço. Eu cobria a seleção praticamente 20 horas por dia. Onde eles estavam, eu estava junto, acompanhando treino e todas as atividades”, relembrou.
Sobre a Seleção Brasileira atual, Eraldo acredita que o país sempre está entre os candidatos ao título, mesmo em momentos de instabilidade. “Chance sempre tem. Em todas as Copas o Brasil chega como um dos favoritos. Quando as pessoas apontam os candidatos, sempre aparecem Argentina, Inglaterra, França, Alemanha e Brasil. O jogador brasileiro faz muito sucesso na Europa e isso pesa muito na avaliação”, afirmou.
Mesmo assim, ele prefere que a equipe não chegue com o peso de principal favorita. “Eu prefiro que o Brasil não chegue como o grande favorito. Em 2006, na Copa da Alemanha, o Brasil chegou como o maior favorito e caiu nas quartas de final. É bom não chegar com salto alto”, avaliou.
Depois de décadas trabalhando com transmissões de rádio, a cobertura para jornal impresso representa uma nova perspectiva na carreira. “Todas essas Copas eu fiz pelo rádio. Agora será a primeira vez cobrindo para jornal. Vou ter outra visão, escrevendo mais textos, trabalhando com foto e reportagem. Acho que vai ser uma experiência diferente. Estou muito animado”, finalizou.
Ao longo da carreira, Eraldo esteve presente nas Copas de 1982 (Espanha), 1986 (México), 1990 (Itália), 1994 (Estados Unidos), 1998 (França), 2002 (Coreia do Sul/Japão), 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul), 2014 (Brasil), 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).