Dom Fernando Rifan apresenta renúncia à Administração Apostólica de Campos
Júlia Alves 11/01/2026 12:38 - Atualizado em 11/01/2026 12:38
Dom Rifan no Folha no Ar
Dom Rifan no Folha no Ar / Genilson Pessanha
Dom Fernando Rifan, bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney de Campos, , apresentou renúncia ao cargo após completar 75 anos em outubro do ano passado. No entanto, o bispo permanecerá na administração até que seu sucessor seja nomeado.
"Tendo completado a idade de 75 anos no dia 25 de outubro de 2025, em conformidade com as normas canônicas (cân. 401 § 1), apresentei ao Santo Padre a minha renúncia ao ofício de Administrador Apostólico da Administração Apostólica São João Maria Vianney. Com efeito, o Romano Pontífice, na Audiência realizada no dia 22 de novembro de 2025, aceitou a minha renúncia, pedindo-me, contudo, a
generosidade de continuar no governo desta Igreja particular por mais dezoito meses, a contar a partir do meu 75º aniversário, até que seja nomeado meu sucessor. Recebo, pois, com imensa gratidão e em espírito de obediência filial o pedido do Santo Padre, mormente em virtude da confiança em mim depositada no governo desta porção do rebanho de Cristo", contou Dom Fernando Rifan.
Em comunicado oficial aos Padres e fiéis da Administração Apostólica, Dom Fernando concluiu dizendo: "por fim, suplicando humildemente aos sacerdotes, às religiosas e aos fiéis de nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney que elevem suas orações por mim ao Bom Deus e por nossa Igreja particular, ao passo que vos asseguro, igualmente, as minhas orações".
Audiência com o Papa Leão XIV
Dom Fernando Rifan e Papa Leão XIV na Biblioteca do Palácio Apostólico
No dia 15 de novembro do ano passado, Dom Fernando Rifan teve uma audiência com o Papa Leão XIV na Biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano. O encontro durou 30 minutos e, nele, foi apresentada a história da circunscrição eclesiástica, assim como a necessidade de continuação da Administração Apostólica. Na ocasião, ele contou ao Papa que havia apresentado a carta de renúncia pelos seus 75 anos, e a necessidade da continuação de ter um bispo na administração.
“Expliquei a ele a origem e a razão pela qual foi criada (a Administração Apostólica) pelo Papa São João Paulo II em 2002. Contei nossa história e lhe dei os documentos nossos e da Santa Sé a respeito. Dei a ele também alguns livros meus, artigos e esclarecimentos. Falei sobre o nosso itinerário teológico e espiritual, sobre como saímos do estado de separação da Igreja e de como chegamos à compreensão da necessidade da comunhão, na qual agora, graças a Deus e à Igreja, nos encontramos. Exprimi-lhe a nossa comunhão e firme adesão a Cátedra de Pedro, na pessoa dele. Ele me fez várias perguntas sobre a nossa posição, que respondi corretamente, deixando-o bem satisfeito. Ele percebeu que somos bem diferentes de outros grupos radicais e cismáticos. Mostrei a ele como estamos em comunhão com o nosso Bispo diocesano e com os outros Bispos católicos”, relatou Dom Fernando.
Dom Fernando explicou ao Papa como funciona o Seminário e a triagem de vocações da Administração Apostólica. Além disso, ele contou que atendem também 11 outras dioceses com a permissão ou pedido dos Bispos locais. Outros assuntos abordados no encontro foram a necessidade de continuação da circunscrição eclesiástica e sua carta de renúncia.
“Falei-lhe, assim e, portanto, da necessidade de continuar com a nossa Administração Apostólica pelo bem da Igreja. Disse-lhe que já havia apresentado minha carta de renúncia, pelos meus 75 anos, e a necessidade da continuação de termos um bispo. Claro que a resposta dele virá através dos canais competentes, após as consultas de praxe. Sobre a minha renúncia, não me julgo necessário nem insubstituível, o que ninguém é, como sempre ensinei. Claro que não pedi nada, além da benção dele. Faço minha a oração de São Martinho: ‘Senhor, se ainda sou necessário ao vosso povo, não recuso o trabalho.’ Mas esses trâmites demoram um pouco. O Papa não dá resposta imediata. Faz muitas consultas primeiro. Repeti a ele a frase dele, quando cardeal, durante o Conclave: ‘Estamos nas mãos do Espírito Santo e da Igreja”, contou.
Rifan destaca a satisfação da audiência com o Papa: “Fiquei muito satisfeito com essa visita cordial e auspiciosa, demonstrando nossa adesão e comunhão com a Cátedra de Pedro na pessoa dele. No final, citei e recitamos juntos a oração: ‘Dominus conservet eum … et non tradat eum in manibus inimicorum eius.’

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