Janeiro Branco reforça importância de cuidado com a saúde mental e emocional
Depois do Brasil ser considerado o país com maior prevalência de depressão segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2022, dados de 2024 do Ministério da Previdência Social apontam que houve um aumento de 68% nos pedidos de licença no INSS motivados por questões de saúde mental. Ainda não há dados publicados sobre o ano de 2025, mas é importante ressaltar que, segundo a OMS em setembro do ano passado, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, apresentando um aumento significativo. E, a cada ano que passa, a campanha do Janeiro Branco, voltada para o alerta com os cuidados da saúde mental e emocional, fica cada vez mais necessária.
A psicóloga clínica Yasmim Nunes falou sobre a importância da campanha nacional, ressaltando que ela é fundamental para dar luz ao assunto.
“Assim como outras campanhas, o Janeiro Branco coloca uma lupa nas questões relacionadas à saúde mental da população. Isso permite que as informações cheguem a um público maior e mais variado, trazendo reflexão e orientação sobre como se cuidar. Além disso, faz com que o debate sobre o tema esteja em evidência, produz ações das empresas e serviços, etc. Quem ganha é de fato a população!”, disse a profissional, que ressaltou ainda sobre ser importante ainda para motivar as pessoas a se cuidarem e dar o primeiro passo no autoconhecimento.
Já a psicóloga Patrícia Barreto falou sobre a importância da sociedade estar conscientizada, mas reforçou sobre a necessidade do papel do Estado para que seja possível oferecer melhores condições de vida no geral e também na saúde mental.
“É muito importante que a sociedade seja conscientizada sobre a importância do cuidado com a saúde mental durante todo o ano. Pensar em saúde mental é pensar em qualidade de vida. Não se trata de apenas buscar acompanhamentos de médicos e psicólogos, mas também de olhar para o indivíduo num todo, considerando as relações sociais, de trabalho e pessoais. Acredito que é papel do Estado oferecer melhores condições de vida, garantia de direitos e melhorar a oferta de cuidados de saúde, assim como as pessoas também precisam estar atentas aos sinais que seu corpo manifesta e entender que cuidar da saúde mental não é vergonha. Campanhas como essas também ajudam a desconstruir estigmas sobre as doenças mentais e formas de cuidado”, explica.
A iniciativa existe desde 2014, quando foi criada pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão com o objetivo de sensibilizar a população para a importância do bem-estar psicológico, assim como ajuda a estimular a busca pelos cuidados especializados quando necessários, reafirmado também pela Yasmim. Ela falou ainda sobre o reforço com a informação durante a ação, que ajuda no combate à banalização do tema.
“Muitas vezes negligenciamos o poder da informação. Estar informado sobre o que de fato são doenças mentais permite que as pessoas entendam que o que sentem não é ‘falta de Deus’ ou frescura e que é uma questão de saúde, assim como doenças físicas. A informação combate a banalização do tema e permite que quem vive a experiência possa ter voz sem se constranger ao falar que tem depressão ou transtorno de ansiedade, por exemplo. Outro ponto também é o que chamamos de psicoeducaçao: trazer esse debate para os locais de trabalho, as escolas, os ambientes públicos. Para que desde cedo as pessoas aprendam que pedir ajuda não é sinal de fraqueza”, explica a psicóloga.
Mas por que escolher Janeiro? Segundo uma matéria especial do governo federal no ano passado, o primeiro mês do ano é simbolicamente associado a recomeços, reflexões e novos projetos, remetendo também a uma ideia de “folha em branco”, com o intuito de incentivar as pessoas a reescreverem suas histórias e ainda priorizando a saúde mental.
Refletindo sobre os avanços desde antigamente até os dias atuais, Yasmim explica que há muito a ser comemorado, como mais acesso às informações, mais abertura na mídia, além de mais profissionais, estudos avançados e maiores orientações. Porém, a psicóloga coloca que um dos maiores impasses é o acesso da população aos tratamentos.
A psicóloga clínica Yasmim Nunes falou sobre a importância da campanha nacional, ressaltando que ela é fundamental para dar luz ao assunto.
“Assim como outras campanhas, o Janeiro Branco coloca uma lupa nas questões relacionadas à saúde mental da população. Isso permite que as informações cheguem a um público maior e mais variado, trazendo reflexão e orientação sobre como se cuidar. Além disso, faz com que o debate sobre o tema esteja em evidência, produz ações das empresas e serviços, etc. Quem ganha é de fato a população!”, disse a profissional, que ressaltou ainda sobre ser importante ainda para motivar as pessoas a se cuidarem e dar o primeiro passo no autoconhecimento.
Já a psicóloga Patrícia Barreto falou sobre a importância da sociedade estar conscientizada, mas reforçou sobre a necessidade do papel do Estado para que seja possível oferecer melhores condições de vida no geral e também na saúde mental.
“É muito importante que a sociedade seja conscientizada sobre a importância do cuidado com a saúde mental durante todo o ano. Pensar em saúde mental é pensar em qualidade de vida. Não se trata de apenas buscar acompanhamentos de médicos e psicólogos, mas também de olhar para o indivíduo num todo, considerando as relações sociais, de trabalho e pessoais. Acredito que é papel do Estado oferecer melhores condições de vida, garantia de direitos e melhorar a oferta de cuidados de saúde, assim como as pessoas também precisam estar atentas aos sinais que seu corpo manifesta e entender que cuidar da saúde mental não é vergonha. Campanhas como essas também ajudam a desconstruir estigmas sobre as doenças mentais e formas de cuidado”, explica.
A iniciativa existe desde 2014, quando foi criada pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão com o objetivo de sensibilizar a população para a importância do bem-estar psicológico, assim como ajuda a estimular a busca pelos cuidados especializados quando necessários, reafirmado também pela Yasmim. Ela falou ainda sobre o reforço com a informação durante a ação, que ajuda no combate à banalização do tema.
“Muitas vezes negligenciamos o poder da informação. Estar informado sobre o que de fato são doenças mentais permite que as pessoas entendam que o que sentem não é ‘falta de Deus’ ou frescura e que é uma questão de saúde, assim como doenças físicas. A informação combate a banalização do tema e permite que quem vive a experiência possa ter voz sem se constranger ao falar que tem depressão ou transtorno de ansiedade, por exemplo. Outro ponto também é o que chamamos de psicoeducaçao: trazer esse debate para os locais de trabalho, as escolas, os ambientes públicos. Para que desde cedo as pessoas aprendam que pedir ajuda não é sinal de fraqueza”, explica a psicóloga.
Mas por que escolher Janeiro? Segundo uma matéria especial do governo federal no ano passado, o primeiro mês do ano é simbolicamente associado a recomeços, reflexões e novos projetos, remetendo também a uma ideia de “folha em branco”, com o intuito de incentivar as pessoas a reescreverem suas histórias e ainda priorizando a saúde mental.
Refletindo sobre os avanços desde antigamente até os dias atuais, Yasmim explica que há muito a ser comemorado, como mais acesso às informações, mais abertura na mídia, além de mais profissionais, estudos avançados e maiores orientações. Porém, a psicóloga coloca que um dos maiores impasses é o acesso da população aos tratamentos.
“Considero que o maior impasse hoje ainda seja o acesso da população aos tratamentos. Nem todos conseguem pagar pela tratamento com psicoterapia ou pelo tratamento medicamentoso através das consultas médicas com psiquiatras e no que se refere ao atendimento público de qualidade, sabemos que muitas cidades não tem. Existe uma população necessitada mas não existe, ainda, a quantidade e qualidade de serviços públicos capaz de suprir”, ressalta Yasmim, falando sobre o que pode ser feito no momento.
“O que pode ser feito é a continuação daquilo que já está sendo feito atualmente: levar o tema para grandes espaços, incluindo mídias sociais e principalmente, valorizar o cuidado preventivo. É importante que as pessoas entendam que não precisam chegar ao limite para buscar ajuda”, finaliza a profissional.
Já para Patrícia Barreto, o tema saúde mental ainda carrega muitos tabus e estigmas. A psicóloga ressaltou que é difíci mudar os conceitos enraizados durante anos que desqualificavam as pessoas com questões relacionadas à saúde mental.
Já para Patrícia Barreto, o tema saúde mental ainda carrega muitos tabus e estigmas. A psicóloga ressaltou que é difíci mudar os conceitos enraizados durante anos que desqualificavam as pessoas com questões relacionadas à saúde mental.
“Vivemos numa sociedade que por muito tempo acreditou que pessoas com transtornos mentais não eram dignas de viver em sociedade e que tinham que ser isoladas sem nenhuma perspectiva de cuidado. É necessário intenso trabalho dos órgãos públicos para levar conhecimento a população de forma a desmistificar as questões relacionadas à saúde mental. É importante que as pessoas compreendam que a mente faz parte do corpo, e assim como procuram um cardiologista quando tem hipertensão, um endocrinologista quando tem diabetes, um oftalmologista com questões relacionadas a visão, os psicólogos e psiquiatras também devem ser procurados quando é identificado que algo não está funcionando bem em nossa mente. Vivemos numa sociedade com muitas pressões por produtividade, estética, sociais, e é natural que não consigamos dar conta de tudo sozinhos. Está tudo bem pedir ajuda”, ressalta.
Patrícia também falou sobre a importância das campanhas de conscientização nos meios de comunicação, nas escolas, unidades de saúde e demais espaços públicos, além de reforçar sobre os avanços e a necessidade de evolução nos dias atuais.
"Tivemos muitos avanços em relação aos cuidados com a saúde mental, mas ainda há muito o que evoluir. Vemos que as novas gerações já começaram a entender a importância de cuidar da saúde mental e é possível ver algumas pessoas buscando por isso. Acredito que o cuidado com a saúde mental deve existir antes mesmo de ter um “transtorno”. Cuidar da saúde mental é também oferecer condições para que os indivíduos possam se desenvolver e viver suas vidas sem que adoeçam. Muitas questões sociais, ambientais, profissionais, fisiológicas e pessoais impactam na saúde mental e todas elas devem ser olhadas com cuidado. Não se trata apenas de cuidar dos sintomas ou pensar na perspectiva de cura, mas sim pensar na melhor qualidade de vida que uma pessoa pode ter", finaliza a psicóloga.