Ponte Barcelos Martins completa um mês de interdição no aniversário de Campos
Júlia Alves 28/03/2026 07:42 - Atualizado em 28/03/2026 07:42
  • Ponte Barcellos Martins

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Após um de seus pilares sofrer recalque, a Ponte Barcelos Martins completa um mês de interdição neste sábado, 28 de março, data em que Campos celebra aniversário. O problema foi causado pela elevação do nível do Rio Paraíba do Sul durante período de chuvas, chegando próximo à cota de transbordo. A ponte é considerada um patrimônio histórico da cidade, pois é uma das principais ligações entre o subdistrito de Guarus e o Centro. Com a interdição, moradores precisaram adotar rotas alternativas para acessar esses dois pontos da cidade, o que tem causado transtornos no dia a dia.
Até o momento, três etapas de vistorias já foram realizadas e a prefeitura informou que seguem em andamento os demais procedimentos técnicos para avaliação e definição das intervenções necessárias na ponte.

“A primeira (etapa) envolveu levantamento topográfico para monitoramento da estabilidade da estrutura. Na sequência, engenheiros fizeram inspeção detalhada dos pilares, com análise das condições estruturais, afastamentos e ferragens. A etapa mais recente foi a batimetria do leito do Rio Paraíba do Sul, que permite identificar a profundidade e as características do fundo do rio, auxiliando na compreensão do impacto do recalque”, explicou.

Já de acordo com a Secretaria Municipal de Defesa Civil, os dados coletados estão sendo consolidados em relatórios técnicos que irão subsidiar o plano de recuperação da ponte. Ainda não há previsão para liberação da ponte, pois a reabertura depende da conclusão dos estudos e da execução das intervenções necessárias, conforme esclareceu a pasta.

A ponte permanece interditada por medidas de segurança, com fiscalização no local para impedir a travessia irregular de pedestres e veículos. No entanto, ao longo do mês, houve mais de um flagra de pessoas se arriscando a atravessar por essa ponte. Como alternativas, a orientação é que a população utilize as pontes Saturnino de Brito (Lapa), Alair Ferreira e General Dutra.
Ponte Barcellos Martins
Ponte Barcellos Martins / Rodrigo Silveira


Já a Secretaria de Estado das Cidades informou que manifestou interesse em submeter o projeto de intervenção na ponte à análise do Estado. “Até o momento, o projeto e a documentação técnica ainda não foram oficialmente apresentados, uma vez que o município segue realizando os estudos necessários para subsidiar sua elaboração”, comentou.
No entanto, a Secretaria de Estado já esteve no local para realizar visita técnica, a fim de analisar as condições da estrutura e acompanhar de perto a situação.
“Assim que o projeto for formalmente encaminhado, será submetido à avaliação técnica da pasta. É importante ressaltar que a fase de execução, ocorre somente após a conclusão das etapas administrativas”, esclareceu.
O morador do Parque Nova Campos, Jonas Gomes, de 59 anos, falou sobre a dificuldade encontrada com a interdição da ponte.
“A interdição da ponte é desfavorável para a população de Guarus. A maior parte da população está concentrado em Guarus. Muitos atravessam até a pé para ir ao centro trabalhar, além dos ciclistas e motoqueiros. O acesso ficou mais difícil, tem que pegar a Ponte da Lapa ou da Rosinha. O pessoal de Guarus é muito carente quando acontece uma coisa dessas, são os mais prejudicados”, relatou.
Um motouber, que não quis se identificar, falou sobre a interferência na rotina e alguns transtornos enfrentados, já que ele utilizava a ponte Barcelos Martins frequentemente.
“Com a interdição dessa ponte prejudica demais não só a gente que trabalha com o motouber, mas também o pedestre e o ciclista. Porque ela fica no ponto exato, no meio da cidade. Então, as pessoas que moram no Jardim Carioca, no Parque Prazeres, Rio Branco, Parque Alvorada, todos utilizam aquela ponte como meio de passagem para o centro. Um caminho mais fácil e mais seguro do que a ponte da Rosinha, a ponte da Lapa e a General Dutra. Também tem a distância das outras pontes e pra gente motouber aquela ponte facilita demais. Se você, por exemplo, pegar uma corrida perto da ponte da Rosinha, ali na Carmem Carneiro, você tem que ir lá pra Barão de Miracema. Você vai ter que dar a maior volta, pegar um trânsito maior para fazer um percurso que seria rápido e isso prejudica demais”, contou.
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Ele destacou ainda os desafios enfrentados na Ponte da Lapa diariamente, devido à alta circulação de pedestres e ciclistas, que tem buscado nova rota por lá.
“A Ponte Barcelos Martins aliviava o trânsito das pontes de ciclistas, de pedestres, aí o que acontece, na Ponte da Lapa, por exemplo, as pessoas que moram próximos pegam essa ponte, porque é mais viável do que a General Dutra, já que a Ponte da Rosinha também não pode passar ciclista nem pedestre, então fica um caos no horário de pico, por volta das 7h da manhã até 8h60. É complicado tem muito pedestre, muito ciclista, aí é tudo embolado, você tem que ter muito cuidado, porque até pode acontecer acidentes”, explicou.
A historiadora Rafaela Machado avalia a interdição da ponte, considerando a importância histórica que tem para a cidade.
“A interdição foi inevitável e expõe a necessidade de manutenção constante de todas as pontes do município. Há que se lembrar que a cidade de Campos, em sua área central, consolidou-se através das margens do rio e ainda hoje a Ponte Barcelos Martins guarda importância prática na vida das pessoas que precisam atravessar de um lado a outro do rio. Com isso quero reafirmar que aquela ponte é elemento importante de mobilidade urbana, parte integrante do dia a dia das pessoas que acessam Guarus e a área central de Campos. Esse é o verdadeiro sentido do patrimônio: não apenas aquilo que se vê de longe, mas aquilo que é vivido - e sentido - no dia a dia”, relatou.
Em 2013, a ponte foi tombada pelo Conselho da Prevervação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam) devido à sua importância histórica.
“Nesse sentido, há que se considerar o próprio sentido de patrimônio, não apenas como algo dado, passado, mas também como elemento em construção e que afeta a vida dos cidadãos. Além de sua importância histórica, a ponte guarda hoje especial importância naquilo que se refere à integração entre as margens do rio Paraíba. O sentido dessa integração é simbólico, mas também material”, complementou a historiadora.

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