Mães fazem protesto por demora na entrega da creche de Donana
Um grupo de mães se reuniu, na manhã desta sexta-feira (10), para protestar contra a demora na entrega da creche de Donana na Estrada da Tocaia. Após 20 anos de espera, o bairro deve ganhar uma unidade própria, já que antes funcionava em um imóvel menor e alugado. No entanto, há ainda denúncias de maus-tratos envolvendo alunos autistas.
A construção da nova unidade faz parte da ação da prefeitura para ampliar o atendimento e aumentar a estrutura das unidades escolares, a fim de garantir mais conforto e segurança às crianças e funcionários, além de substituir os aluguéis. Localizada na esquina da rua Gregório Miranda Pinto com a rua Carlos Francisco de Souza, a unidade poderá atender até 180 alunos e está com a parte estrutural toda pronta, ligação de água e esgoto realizadas e também a infraestrutura externa, como muro e calçamento, pronta. Porém, em março do ano passado, a previsão da prefeitura era de entrega em três meses, o que não aconteceu.
A construção da nova unidade faz parte da ação da prefeitura para ampliar o atendimento e aumentar a estrutura das unidades escolares, a fim de garantir mais conforto e segurança às crianças e funcionários, além de substituir os aluguéis. Localizada na esquina da rua Gregório Miranda Pinto com a rua Carlos Francisco de Souza, a unidade poderá atender até 180 alunos e está com a parte estrutural toda pronta, ligação de água e esgoto realizadas e também a infraestrutura externa, como muro e calçamento, pronta. Porém, em março do ano passado, a previsão da prefeitura era de entrega em três meses, o que não aconteceu.
Segundo relato das mães, a unidade ainda não foi entregue porque estaria faltando apenas a instalação de água, luz e ar condicionada na unidade. Elas destacaram ainda que foram informadas que o atraso seria por conta de uma possível dívida da prefeitura com a Enel.
“A creche é muito pequena e já estão há dois anos prometendo que vai mudar para a nova. A obra já parou e voltou. Mas parece que a prefeitura está com uma dívida enorme na Enel. Falta instalar água, luz e ar condicionado, que já está comprado e precisa botar no local. A gente está aqui porque quer o melhor para os nossos filhos. A sala do meu bebezinho, de dez meses, não tem uma janela, é um forno. Não tem cabimento as crianças ficarem ali. Enquanto não troca, tem um monte de criança que não está indo porque não tem capacidade de aguentar. Estamos aqui pelo direito dos nossos filhos”, disse Catariana Gomes, mãe de três crianças que estão matriculadas na creche.
Porém, em nota, a prefeitura informou que não existe dívida da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) com a concessionária de energia.
"A Seduct está esperando a ligação da energia do local pela parte da concessionária Enel. Assim que a empresa realizar a ligação de energia a Secretaria poderá dar um prazo concreto de funcionamento da unidade no espaço novo. Esta gestão da Prefeitura realizou todos os trâmites necessários para a construção da nova unidade e, após mais de 20 anos, está realizando o sonho da comunidade, garantindo uma creche modelo para Donana. Entretanto, os alunos não estão sem estudar e estão sendo atendidos no antigo imóvel", respondeu.
A Folha entrou em contato com a Enel para saber mais informações, como por exemplo sobre a previsão de resolução desta questão, mas até o momento não obteve retorno. Mesmo com o funcionamento normalmente, as mães falaram sobre a estrutura onde funciona atualmente a creche.
“A situação onde os pequenos ficam é muito complicada. É muito pequeno, não tem ventilação, é um ventilador para todo mundo e é muita criança. Depois que fizeram a creche nova aumentou a listagem de alunos, então tem mais de 70 crianças que ainda não estão frequentando a creche. E a gente está tentando fazer com que a prefeitura enxergue a gente, a nossa situação, porque não tem onde as crianças comerem, não tem onde dormirem, tudo aglomeradinho, tudo num colchãozinho, um do lado do outro porque não tem espaço. Não tem um pátio direito para as crianças brincarem”, explica Manoela Estoller, mãe de três crianças e duas delas estudam na creche.
Manoela também falou sobre o tempo que estão esperando uma resolução e ainda ressaltou casos de maus-tratos na unidade.
“A gente está esperando desde abril do ano passado, que a diretora falou que iria liberar em três meses para a gente. Só que passou e nada. Aí falaram esse ano em março iria liberar. Aí a diretora também não dá um respaldo, não fala nada, aí quando vai falar com ela, ela fala que não pode se intrometer (...) É muito complicado, e a gente está fazendo essas coisinhas por cada criança porque elas que estão sofrendo. E ainda tem as coisas que estão acontecendo lá dentro, os maus-tratos, professora gritando com crianças especiais, teve uma mãe que gravou, tem prova contra isso, então a gente está vendo o que vai fazer”, conta.
Manoela também falou sobre o tempo que estão esperando uma resolução e ainda ressaltou casos de maus-tratos na unidade.
“A gente está esperando desde abril do ano passado, que a diretora falou que iria liberar em três meses para a gente. Só que passou e nada. Aí falaram esse ano em março iria liberar. Aí a diretora também não dá um respaldo, não fala nada, aí quando vai falar com ela, ela fala que não pode se intrometer (...) É muito complicado, e a gente está fazendo essas coisinhas por cada criança porque elas que estão sofrendo. E ainda tem as coisas que estão acontecendo lá dentro, os maus-tratos, professora gritando com crianças especiais, teve uma mãe que gravou, tem prova contra isso, então a gente está vendo o que vai fazer”, conta.
"Me sinto bastante chateada pela minha filha estar em uma creche, que é minúscula, parecendo uma sardinha. Teve um dia que faltou água, eu fui buscar ela e ela estava dormindo e soando, porque estava calor e ela tem dermatite atópica. A outra creche está pronta, só falta instalação de água, luz e o ar condicionado. A gente está aqui pra fazer pelas nossas crianças. Ainda tem o caso de maus-tratos com uma criança autista, a minha filha não é autista, mas se essa pessoa faz isso com uma criança autista, faz com todas", disse Natyelli Siqueira, mãe de uma aluna.
Maria Clara Rodrigues é mãe da Betina, de três anos, que é autista nível 2 de suporte. Ela conta que passou a estranhar o comportamento da filha, que antes adorava ir para a creche e começou a não querer ir mais. Desconfiada, Maria Clara colocou um gravador na mochila da filha e se surpreendeu com o resultado.
“Ela estava com um comportamento diferente, não queria entrar na escola quando chegava no portão. Se ela visse o uniforme já entrava em desespero. Ela reclamava muito de que a tia gritava e brigava. Eu resolvi comprar um gravador e colocar na mochila dela. Escutei coisas absurdas, já fiz a denúncia no Disque 100 como abuso emocional infantil porque os áudios não são diretamente para minha filha, mas é na sala dela, com todas as crianças dentro. Então se faz com um, faz com todos, né? São crianças e bebês. Fiz a denúncia no Instagram, porque hoje em dia as coisas só se resolvem expondo. Os áudios mostram a professora e a cuidadora da minha filha botando outro menino, que também é autista, para dormir, como se estivesse colocando um cachorro”, relata Maria Clara.
Questionada, a prefeitura disse que não houve nenhuma denúncia formal na Seduct até a manhã desta sexta-feira. “No entanto, assim que soube dos fatos, informalmente, a Secretaria convocou os gestores, professores e pais de alunos envolvidos na questão para ouvir as partes e tomar as providências cabíveis. Não há casos de maus tratos registrados nesta unidade até o momento, porém, uma equipe multidisciplinar vai acompanhar a situação e realizar a abertura de sindicância interna, visto que a segurança dos alunos é a prioridade absoluta. A Secretaria continua à disposição das famílias para escuta e suporte nas áreas necessárias”, informou em nota.
Maria Clara contou ainda que se reuniu nesta sexta com o vereador Leon Gomes, que atua na defesa dessas causas e também é pai de uma criança autista. Ela disse também que foi elaborado o texto da denúncia, que será encaminhado aos órgãos responsáveis.
Após protestatem em frente à antiga unidade, as mães seguiram até a nova. No local, foi registrado que ainda faltam alguns acabamentos e também foi possível observar presença de mato alto dentro e fora do imóvel. No entanto, havia um funcionário no local para realizar a manutenção.
A nova creche será composta por oito salas de aula amplas, banheiros infantis e banheiros para PCD, refeitório, cozinha, despensa, área de serviço, frigorífico, áreas administrativas, como almoxarifado, sala de professores, secretaria e direção, e espaço para parquinho. Outras unidades do município já receberam ampliações, enquanto outras foram construídas do zero, assim como a de Donana, ofertando mais vagas para alunos.