Obra na Pracinha do Sossego segue em andamento e impacta comerciantes de Campos
Júlia Alves 24/04/2026 13:38 - Atualizado em 24/04/2026 13:45
Foto: Júlia Alves

A obra na Pracinha do Sossego, localizada na Rua Tenente Coronel Cardoso (antiga Formosa), esquina com as Ruas Álvaro Tâmega e Luís Sobral, no Parque Tamandaré, segue em andamento e causa transtornos aos comerciantes da região. Iniciada em outubro do ano passado, com prazo inicial de seis meses, a intervenção apresentou problemas na drenagem. No entanto, a Prefeitura de Campos afirma que os trabalhos continuam dentro do cronograma estabelecido. Além disso, comerciantes relataram os prejuízos que têm sofrido devido a tapagem instalada em frente aos estabelecimentos, feita para isolar a praça durante esse período.
Débora Velasco é franqueada de uma rede de lavanderia de autoatendimento, um modelo de negócio pioneiro em Campos desde fevereiro do ano passado, com funcionamento até às 22h até nos finais de semana. Ela relata os prejuízos causados ao estabelecimento pela falta de visibilidade e comenta que foi solicitada a retirada de parte da tapagem da obra que está na frente da lavanderia.
  • Obra na Pracinha do Sossego

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“A nossa visibilidade foi perdida. Inclusive, não teria necessidade de ter essa tapagem até a nossa frente, por que a obra é mais pra lá. Nós solicitamos diversas vezes que eles tirassem pelo menos esses três metros dessa tapagem, porque não é feito nada do lado de cá. Eles falaram que não podiam. Fomos na Secretaria de Obras, falaram que iam providenciar, mas até hoje nada. Com essa obra também dificultou muito a questão dos carros pararem, porque como é uma lavanderia as pessoas descem com roupa, então elas descem com peso. Não tem lugar para parar. E, automaticamente, o nosso movimento caiu absurdamente. Porque as nossas contas continuam. Nós temos aluguel, como é uma franquia, nós temos royalties a pagar. Nós temos todo um processo que uma operação exige para poder funcionar”, contou.
Além disso, Débora comenta sobre um assalto que aconteceu no estabelecimento no início deste ano, conforme relatado no Folha 1, levantando ainda mais a preocupação acerca da segurança nos arredores da obra.

“No dia 1º de janeiro tivemos um assalto aqui. Uma pessoa em situação de rua entrou no horário que ainda estava no autoatendimento, como a cidade estava muito deserta e a franquia exige que a gente fique aberto, ele entrou no nosso espaço e depredou, porque não tinha como levar muita coisa. Ele puxou as madeiras onde ficam as máquinas pra poder ter acesso lá pra trás. Ele quebrou a televisão, entrou pelo buraco da tv, arrancou o ventilador e tudo isso nós fomos repondo. As maçanetas das portas foram deterioradas, inclusive na hora que ele foi tentar sair, levou muita coisa daqui de dentro, mas quando ele foi tentar sair, a porta já estava travada. Automaticamente, ele teve que arrombar a segunda porta pra poder sair. Então, foi um prejuízo muito grande. Nós também levamos isso para a secretaria e eles fingem que nem é com eles, não querem nem saber. E como isso aqui tá muito escuro, a única luz que tem é a nossa, a gente encontra preservativo e pessoas dormindo aqui fora. As pessoas que vêm aqui à noite ficam com medo de vir, porque está muito vulnerável. Nós já solicitamos que tirem essa estrutura na frente da lavanderia e nada. Então, assim, a gente está sendo totalmente prejudicado”, relatou Débora.
Proprietários de um restaurante da região relataram a falta de visibilidade do estabelecimento, já que toda a frente está coberta pela tapagem da obra que, segundo eles, estaria atrapalhando o funcionamento do negócio.
Já Fernanda Riscado é dona de uma peixaria, que funcionava na praça, e também foi impactada pela obra, precisando deixar o local junto com outros comerciantes. Ela encontrou um ponto próximo à praça para continuar com a venda, mas aguarda com expectativa a liberação da praça, mesmo sem saber se poderá voltar a trabalhar no local.
“Desde que começou a obra eu tive que dar meu jeitinho, consegui esse cantinho aqui até a pracinha ficar pronta, mas ainda não sei se eles vão deixar eu ficar lá depois que terminar a obra. Não tem nada certo ainda, mas a gente está aguardando. Seja o que Deus quiser. Todo mundo já me conhece e sabe que eu fico na praça. Todo mundo já está acostumado e fica me esperando, perguntando quando que vamos voltar para lá e eu falo que não sei. Ali tínhamos muita visibilidade, mais do que aqui. Eu saí de lá quando começou a obra em outubro e eles falaram que está previsto para agora em abril. Não achei que demorou muito. Já vi obras demorarem mais. Acho que eles estão no prazo até ajeitar e está ficando muito bonito”, comentou. 
  • Obra na Pracinha do Sossego

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Em nota, a prefeitura informou que a obra já se encontra em etapa avançada de execução e comenta sobre o problema que surgiu. "No decorrer dos trabalhos, foi identificada a necessidade de avaliação de intervenção de drenagem no local, ponto que não constava inicialmente no projeto. A situação foi levantada pela equipe técnica e apurada pela Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo e Mobilidade", explicou.
De acordo com o secretário da pasta, Fábio Ribeiro, está prevista a realização de uma reunião na próxima segunda-feira (27) para definir os próximos encaminhamentos relacionados a essa demanda, assim como o reforço da execução das próximas etapas da obra.
A Folha questionou a prefeitura à respeito das demais situações citadas na matéria, mas ainda não obteve retorno.

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