Rubio diz que EUA não vão governar a Venezuela, mas usarão bloqueio do petróleo para pressionar o país
04/01/2026 17:37 - Atualizado em 04/01/2026 17:37
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio / Foto: REUTERS/Nathan Howard/Pool
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou neste domingo (4) que os Estados Unidos não terão um papel direto no governo cotidiano da Venezuela e se limitarão a impor uma “quarentena do petróleo” já existente sobre o país.

A declaração representa um tom diferente do adotado pelo presidente Donald Trump, que afirmou, um dia antes, que os EUA passariam a “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura do líder Nicolás Maduro.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, Rubio adotou um tom mais cauteloso ao afirmar que os EUA continuarão a aplicar a quarentena do petróleo — medida que já estava em vigor sobre navios-tanque sancionados antes de Maduro ser retirado do poder na madrugada de sábado.

Segundo o secretário de Estado, a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças de política na Venezuela. “É esse o tipo de controle a que o presidente se refere quando diz isso”, afirmou.

“Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas", acrescentou.
Reações de Coreia do Norte e China
O dia seguinte à prisão de Maduro pelos EUA também foi de reações de países aliados à Venezuela.

A Coreia do Norte, por exemplo, afirmou que os ataques dos Estados Unidos à Venezuela são a "forma mais grave de violação de soberania".

O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano ainda disse que está atento à gravidade da atual situação no país sul-americano, causado pelo "ato de arbitragem dos EUA".

"O incidente é mais um exemplo que confirma, claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA", declararam.

Para o governo norte-coreano, a situação atual na Venezuela causou uma "consequência catastrófica

Também neste domingo, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Estados Unidos devem libertar imediatamente o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, e resolver a situação na Venezuela por meio de diálogo e negociação.

O ministério afirmou em um comunicado em seu site que os Estados Unidos também deveriam garantir a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa, alegando que a deportação deles violou o direito e as normas internacionais.

A China é uma das principais parceiras políticas e econômicas da Venezuela e, nos últimos anos, tem defendido publicamente que disputas internas no país devem ser resolvidas “pelo povo venezuelano, sem interferência externa”.

Detido em Nova York
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite desse sábado (3), após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos. A prisão ocorreu durante a madrugada, em Caracas, de acordo com o governo americano.

Mais cedo, Maduro foi conduzido sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde foi fichado. Um perfil oficial da Casa Branca no X divulgou as imagens do venezuelano escoltado por agentes.

Em entrevista coletiva, o presidente Donald Trump disse que avalia os próximos passos para o país sul-americano. Ele ainda afirmou que os EUA pretendem conduzir o país por meio de um "grupo" que está em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos nem como esse arranjo funcionaria.

Também nesse sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.

Segundo Bondi, o líder venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores — também detida pelas autoridades americanas —, foram formalmente acusados dos seguintes crimes:

Conspiração para narcoterrorismo;
Conspiração para importação de cocaína;
Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
Conspiração para posse de metralhadoras.
* Com informações da agência Associated Press e do G1

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