Invasão dos EUA à Venezuela pode impactar o Norte Fluminense
A invasão dos Estados Unidos à Venezuela, no último sábado (3), com a prisão do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, abre novas possibilidades que podem impactar o mercado mundial de petróleo e, consequentemente, o Norte Fluminense. Os analistas Igor Franco e Wellington Abreu, além de Marcelo Neves, secretário-executivo da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), observam os possíveis reflexos na distribuição de royalties.
Após o ataque, o presidente Donald Trump afirmou: “Vamos levar nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, para investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura de petróleo, e começar a gerar dinheiro para o país”.
De acordo com Marcelo Neves, as reservas venezuelanas chegam a cerca de 300 bilhões de barris. Contudo, em 2025, a produção não ultrapassou 1 milhão de barris por dia. Em comparação, o Brasil produziu por volta de 4,9 milhões de barris.
“No curto prazo, é possível que vejamos um aumento nos preços do petróleo, derivado do aumento da percepção de risco imediato dos agentes financeiros. Esse tipo de reação é bastante comum em qualquer evento impactante e pode significar uma espécie de busca por proteção financeira”, explicou Igor Franco.
Com a entrada dos estadunidenses nas jazidas da Venezuela, a venda de combustível fóssil para a China deve ser diminuída, abrindo uma oportunidade de negócios entre brasileiros e orientais, observa o secretário-executivo da Ompetro.
“Quem deve absorver a maior parte do petróleo brasileiro agora deve ser a China, aumentando os embarques da Petrobras pelo Porto do Açu, com petróleo de melhor qualidade dos campos Tupi, Búzios e Mero, e aumentando, inclusive, a parcela de Instalação de Embarque e Desembarque (IED) dos municípios. Nada de extremamente extraordinário, mas aumento é aumento”, disse Marcelo.
Para Wellington Abreu, “os reflexos na geopolítica do petróleo se darão a médio e longo prazo. A indústria venezuelana demandaria de um a dois anos de investimentos maciços para aumentar sua oferta de forma a impactar o preço internacional”. Além disso, ele defende que deve haver prudência para garantir a saúde fiscal dos municípios.
“O momento exige extrema responsabilidade fiscal. A janela de oportunidade financeira está se fechando mais rápido do que o previsto. A manutenção do equilíbrio das contas públicas dependerá da capacidade dos gestores de não comprometerem receitas que, tecnicamente, tendem à queda”, disse Wellington.
Ação de Trump repercute entre os líderes mundiais
O sábado do dia 3 de janeiro de 2026 ficou marcado pela invasão dos Estado Unidos à Venezuela ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro.
Em declaração foi feita em uma rede social, Donald Trump afirmou que “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela”.
No ato, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reprovou a ação comandada pelo governo estadunidense.
Posteriormente, Maduro foi levada à Justiça dos EUA e se declarou inocente das acusações e alegou ser “prisioneiro de guerra”.
Na segunda-feira (5), O Conselho de Segurança se reuniu para debater a questão. Brasil, China e Rússia condenaram ataque. Representante dos EUA afirmou que Maduro era um “presidente ilegítimo”.
No discurso inicial, a vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, disse que a instituição está “preocupada que a operação não respeitou as regras do direito internacional”.