Edgar Viana de Andrade - O cinema em 1925
*Edgar Vianna de Andrade 27/08/2025 07:48 - Atualizado em 27/08/2025 07:48
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Das sete artes, o cinema é a mais popular. Como nas outras seis, porém, nem sempre existe arte nos filmes. Embora a produção de um filme possa ser cara, quase sempre o lado artístico é contemplado. Mas produzir cinema com arte é perfeitamente possível.
Há um século, não sei se existia sala de cinema em Campos. Sei que existiam teatros. E a indústria cinematográfica estava desenvolvida. Os Estados Unidos iam se impondo como o maior centro mundial na produção de filmes. O país tinha dinheiro para promover o cinema, atraindo diretores e artistas de outros países. Contudo, França, Alemanha, Itália, União Soviética e Japão contribuíam com excelentes filmes. O cinema ainda era mudo, mas já estava quase falando.
A crítica especializada arrolou mais de 40 filmes de boa qualidade no ano de 1925. O primeiro lugar foi ocupado por “O encouraçado Pontenkin”, do genial diretor soviético Sergei Eisenstein. O filme ilustra bem o realismo social que marcaria os primórdios do cinema soviético. Não há apreciador de cinema que desconheça esse filme. Se desconhece, trate de conhecer.
Em segundo lugar, foi eleito “Em busca do ouro”, do genial Charles Chaplin. Como sempre, Chaplin faz tudo no filme: representa, co-dirige, compõe a trilha sonora etc. Já perdi a conta das vezes em que assisti a esse filme, produzido nos Estados Unidos, que ficaram também em terceiro lugar com o filme “O grande desfile”, de King Vidor. Este diretor representou bem o realismo romântico do cinema estadunidense. O filme versa sobre a Primeira Guerra Mundial.

O quarto lugar coube ao comediante Buster Keaton, com “Sete oportunidades”. Keaton foi um gênio da comédia e do cinema. Altamente criativo, ele produzia cenas inusitadas que exigiam movimentos atléticos. Eisenstein ocupa o quinto lugar com “A greve”. Em 1925, foi lançado “O fantasma da ópera, de Edward Sedgwick (direção não creditada), causando um grande furor. Comenta-se que a caracterização de Lon Chaney como monstro levou pessoas a sofrerem infarto. Não se trata de um filme de terror, como facilmente se classifica. O clima criado é espetacular, mas, hoje, não causa nenhum espanto.

“Ben-Hur”, de Fred Niblo, vem em sétimo lugar, mais uma vez expressando o realismo romântico dos Estados Unidos. Para fechar o trio de comediantes atléticos, o oitavo lugar ficou para “O calouro”, de Fred C. Newmeyer, diretor das comédias estreladas por Harold Lloyd. O nono lugar ficou com “Variedades”, dirigido por Ewald André Dupont. Por fim, “A viúva alegre”, de Erich von Stroheim.
Trata-se de uma lista elaborada por estudiosos do cinema. Mesmo assim, ela pode variar. Seguindo em frente, na mesma lista estão “Tartufo”, de Murnau, “O leque de Lady Margarida”, de Lubitsch, “A rua das lágrimas”, de Pabst, e “Você deve respeitar sua mulher”, de Carl Theodor Dreyer. Todos eles foram diretores que souberam elevar o cinema à condição de arte.
*Crítico de cinema

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