Curta-metragem 'Trivakra', de Sofia Angst, integra mostra em festival na Holanda
Dora Paula Paes 27/01/2026 18:14 - Atualizado em 27/01/2026 18:14
Produção campista
Produção campista / Divulgação
 
O curta-metragem "Trivakra" (2025), dirigido pela jovem cineasta campista Sofia Angst, no Instagram @venusangst, foi selecionado para a 55° edição do International Film Festival Rotterdam (IFFR), na Holanda, integrando a mostra de Curtas e Médias-Metragens. A produção de Sofia, que nasceu no seu quarto em Campos, consta entre os 120 curtas e médias do mundo inteiro. A estreia internacional será no dia 30 de janeiro, na sessão “Breaking The Frame”, dedicada a filmes que quebram com a gramática convencional das imagens cinematográficas.
Sofia teve filme selecionado
Sofia teve filme selecionado / Divulgação
Essa seleção marca a presença da jovem em um dos festivais mais prestigiados do mundo, levando uma produção completamente independente que aborda de maneira singular relações entre corpos e gêneros dissidentes com o uso de novas tecnologias.
— O curta foi realizado dentro do meu quarto, em Campos. Ele foi gravado com uma webcam de baixa resolução e um microscópio digital. Ter a produção selecionada é um fato extraordinário, sendo uma das pouquíssimas presenças brasileiras no festival, sendo a mais jovem e a única pessoa trans também —conta a cineasta, que não estará presente no Festival, segundo ela, por não ter conseguido apoio.

— Eu tentei diferentes maneiras, mas não consegui. Cheguei a travar uma luta burocrática. Por ser do interior, um curta- metragens, essas viagens acabam ficando concentradas nas figuras que têm capital— relatou.
Sofia realizou a obra a partir de fragmentos de performance gravados com esses dispositivos não-convencionais de captura de imagem, manipulando-os em tempo real. Somado a isso, há o uso de materiais de arquivo de Sofia enquanto criança, gravadas pelo seu avô com uma câmera VHS.
Trivakra é uma figura mitológica do hinduísmo marcada por uma deformidade corporal e uma etimologia que se traduz para "aquela que é quebrada em três partes". Convivendo com um corpo esqueleticamente desviante desde sua infância, Sofia teve desde cedo uma existência mediada por próteses coercitivas, dentre as quais destaca-se um colete ortopédico que é usado como objeto relacional das gravações da obra.
Apesar de estar estudando Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense atualmente, o filme foi realizado enquanto Sofia ainda estudava Psicologia na UFF de Campos.
Entrelaçando bases filosóficas das teorias de gênero, de corpos com deficiência e ciberfeminismo, Sofia cria uma costura errática que parte do desvio enquanto matéria artística manifestada em três instâncias: no corpo, no gênero e na imagem. Induzindo glitches e falhas na estrutura imagética, visa quebrar o imperativo fechado da imagem digital, tocando-lhe em suas materialidades e inventando novas maneiras de tornar o invisível, visível.
Após a seleção da obra para o 9° Festival Ecrã, o curta despertou a atenção de Miquel Martí Freixas, curador do Festival de Rotterdam e, devido à originalidade estética e conceitual da obra, convidou-a diretamente para compor o programa do IFFR 2026.
O filme conta com a produção da Excesso Filmes e distribuição da A Gota Preta Produções.
Com informações de assessoria.


 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS