Congos e Chinês, Sapucaí e a ligação da Mocidade Alegre com Campos: um giro pelos desfiles
Dora Paula Paes 19/02/2026 07:40 - Atualizado em 19/02/2026 07:40
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A passagem de uma escola de samba desperta arrepios e um leque de fortes emoções. É no batuque da bateria e na alegria nas alas que o público se alvoroça. Na região, as escolas de samba Congos e Chinês, em São João da Barra, são aguardadas com entusiasmo e grande torcida, mesmo que não haja uma disputa oficial. Na Sapucaí, Viradouro leva a própria história para avenida com homenagem ao Mestre Ciça e sagra-se campeã. Em Sao Paulo, a Mocidade Alegre, escola fundada por irmãos campistas, teve sua 13ª vitória. 
Congos foi a primeira agremiação a entrar na avenida na noite de domingo (15), levando ao público o enredo “Ekobé – O Canto da Resistência Ancestral”. Em seguida, Chinês entrou na avenida com toda a força que o enredo “Zchuán de - O Legado dos Ancestrais”. 
Mantendo a tradição, Congos apresentou um desfile marcado pelo luxo e brilho das fantasias, além de carros alegóricos grandiosos. Tendo como símbolo o índio guerreiro, a escola entrou na avenida com cerca de 600 componentes, divididos em cinco setores, com sete tripés temáticos, cinco alas e três carros alegóricos, mostrando a cosmogonia guarani, passando pelo universo de encantos e mitos, pelo impacto histórico da colonização, até chegar à busca da “terra sem males” como destino espiritual e projeto de futuro.
O público acompanhou e cantou o samba do início ao fim, reafirmando a forte conexão da agremiação com o Carnaval sanjoanense. “Eu amo o Carnaval de São João da Barra. Venho desde criança, e o Congos sempre apresenta um desfile lindo e emocionante”, destacou Luanne de Souza, moradora de Campos.
Chinês fez um desfile de imersão nas tradições e nos ensinamentos dos mais velhos, retratando histórias transmitidas à luz dos fogos de bengala, a celebração da vida e a reverência aos que partiram. Com nove alas, cinco tripés e três carros alegóricos, a apresentação foi encerrada com o carro “O Império do Leão Sagrado”. A escola também prestou homenagem à moradora de Atafona Soninha Ferreira, falecida em 2025, em um dos tripés, ao lado da Velha Guarda da agremiação.
O desfile emocionou Marcos Felipe Rangel, morador de Grussaí, que se surpreendeu com a escola. “O Chinês arrepia quando entra na avenida, impossível não sentir a emoção da bateria e a beleza do desfile, sou Chinês até morrer”, contou.

Vitória da Viradouro - No Carnaval da Sapucaí, no Rio de Janeiro, os desfiles foram divididos em três noites. No resultado oficial, o primeiro lugar ficou para a Viradouro. A Beija-Flor ficou com o segundo lugar e a Vila Isabel, em terceiro, na soma dos pontos dos jurados. 
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O primeiro dia, no domingo (15), foi marcado por polêmica até no campo político. A Acadêmicos de Niterói levou seu enredo com homenagem para contar a trajetória de vida e política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhou o desfile.
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Dois grandes ícones da música popular brasileira também foram enredos. Ney Matogrosso desfilou na passarela do samba e se emocionou com a história contada pela Imperatriz Leopoldinense. O cantor foi ovacionado pelo público. Já Rita Lee, que faleceu em 2023, também recebeu uma bela homenagem da Mocidade Independente, com o desfile “É cor de rosa choque”.

No último dia, na terça (17), todos os holofotes se voltaram para a primeira vez da influenciadora Virginia Fonseca como rainha da bateria da Grande Rio. Ocupando a coroa, antes da atriz Paolla Oliveira, a influenciadora precisou tirar parte da sua fantasia por não aguentar o peso das asas de 12kg.

Mocidade Alegre - A 13ª vitória da Mocidade Alegre, no Carnaval de São Paulo, remete a história da escola com a cidade de Campos. A escola foi fundada por três campistas, e seu nome homenageia um antigo bloco carnavalesco da cidade, o Mocidade Louca.
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“Muito se falava que essa homenagem era à escola de samba Mocidade Louca, que ainda existe, mas na verdade era o bloco Mocidade Louca, fundado no início dos anos 30 e que depois deixou de existir”, explica o jornalista Matheus Berriel, que junto com Jadir de Oliveira defenderam essa tese no Trabalho de Conclusão de Curso de Comunicação Social.

Raízes da Mocidade Alegre - No Natal de 1948, chegava a São Paulo – procedente de Campos – com um pequeno grupo de amigos, Juarez da Cruz, que em pouco tempo teria participação fundamental no desenvolvimento do Carnaval de São Paulo. Em 1950 Juarez, seus irmãos Salvador e Carlos da Cruz e mais dois amigos deram início a essa história.

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