Familiares de mulher morta a pedradas pelo marido em Campos fazem ato em frente ao Fórum
05/02/2026 15:16 - Atualizado em 05/02/2026 16:24
Familiares da vítima pedem justiça
Familiares da vítima pedem justiça / Foto: Rodrigo Silveira

Familiares e amigos de Amanda dos Santos Souza, de 26 anos, que foi morta com pedradas na cabeça pelo próprio marido no bairro da Penha, em Campos, fizeram um ato, na tarde desta quinta-feira (5), em frente ao Fórum Maria Tereza Gusmão. A Justiça realiza a primeira audiência de instrução e julgamento do caso, que foi registrado em dezembro de 2025. Usando cartazes e camisas, o grupo pede a condenação do acusado do feminicídio, Diego Vitorino da Silva, com quem Amanda tinha um relacionamento e três filhos.
Durante o ato, a mãe da vítima, Lucivalda dos Santos, voltou a pedir justiça, não apenas por Amanda, mas por todas as mulheres vítimas de feminicídio.
Amanda dos Santos Souza, vítima do feminicídio
Amanda dos Santos Souza, vítima do feminicídio / Reprodução


“Nós estamos aqui hoje fazendo justiça, que começou a ser feita a partir do momento em que o indivíduo foi preso. A gente está aqui não só pela Amanda, mas por todas as mães e mulheres assassinadas. Para as mães que têm seus filhos homens, que criem ensinando a amar as mulheres, porque foi através de uma mulher que eles vieram ao mundo, e não para matá-las. Estamos no combate ao feminicídio em Campos e em todo o Brasil. É alarmante como esse crime tem aumentado nos últimos anos”.
Relembre o caso
O crime chocou a população de Campos no início de dezembro de 2025. Amanda dos Santos Souza foi encontrada morta dentro da residência do casal, no bairro da Penha, na manhã da segunda-feira (8). O corpo apresentava graves lesões na cabeça e marcas de queimadura. Segundo a investigação, o crime aconteceu nos fundos da casa onde o casal morava.

Diego Vitorino da Silva foi preso em flagrante dois dias após o crime, na tarde da terça-feira (9), pela Polícia Civil. O acusado foi localizado e detido na entrada de Grussaí, em São João da Barra, após fugir do local do feminicídio. Em depoimento à polícia, Diego confessou o assassinato e afirmou que matou a esposa por ciúmes.
Diego foi preso dois dias após o crime
Diego foi preso dois dias após o crime / Foto: Rodrigo Silveira
Amanda e o acusado eram casados, tinham três filhos e viviam um relacionamento marcado por episódios recorrentes de violência doméstica. Conforme explicou a delegada Carla Tavares, a vítima havia registrado três boletins de ocorrência contra o marido, o primeiro em 2018, o segundo em 2024 e o terceiro em março deste ano, ocasião em que ele chegou a ser preso em flagrante.

Apesar do histórico de agressões, Amanda solicitou a suspensão da medida protetiva, o que resultou na liberação do agressor. Na delegacia, a delegada detalhou, à época, a frieza com que o acusado relatou a dinâmica do crime.

“O que mais me estarrece é a forma que ele narra como cometeu esse crime. Ele chamou a vítima, tirou ela de dentro de casa porque tinham outras pessoas na residência, levou para os fundos e começaram a discutir por ciúmes. Ele enforcou a vítima com o objetivo de desmaiá-la, mas não conseguiu. Quando ela levantou, ele tentou novamente e, como não conseguiu e a vítima resistia, pegou duas pedras e deu a primeira pedrada e, em seguida, a segunda. Ou seja, o objetivo era efetivamente ceifar a vida dessa mulher”, afirmou a delegada.

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