Operação de captura de Maduro pelos EUA violou 'princípio fundamental' do direito internacional, diz ONU
06/01/2026 08:13 - Atualizado em 06/01/2026 08:12
Reunião de emergência da ONU sobre a Venezuela
Reunião de emergência da ONU sobre a Venezuela / Foto: Reuters
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira (6) que operação dos Estados Unidos em Caracas, na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, violou de forma clara um princípio fundamental do direito internacional.
“Os Estados não devem ameaçar nem usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, disse Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU.
A fala da ONU ocorre três dias após os EUA terem conduzido uma operação militar na capital venezuelana para capturar o ditador Nicolás Maduro — na ocasião, no sábado (3), Caracas foi alvo de várias explosões.
Esse foi o posicionamento mais forte da ONU, instituição multilateral que regula o direito internacional, até o momento sobre a operação dos EUA que capturou Maduro. Até o momento, representantes da ONU haviam expressado profunda preocupação e pedido pela desescalada na situação.

A ação norte-americana foi alvo de condenação da comunidade internacional. Aliados de Maduro, a Rússia e a China foram os mais contundentes no repúdio à captura de Maduro, e fizeram novas condenações durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira (5): a China falou em "bullying", enquanto a Rússia chamou o governo Trump de "hipócrita e cínico".

A Casa Branca justificou a ação militar como uma "operação para o cumprimento da lei" e disse que a presença de seu Exército na Venezuela foi necessária para dar apoio ao Departamento de Justiça norte-americano para fazer cumprir um mandado de prisão contra Maduro, acusado de narcoterrorismo.

A legalidade da operação ainda será contestada nas próximas semanas dentro e fora dos EUA, segundo especialistas. Segundo Washington, a prisão de Maduro respeitou a Constituição norte-americana. No entanto, especialistas também afirmaram que a cartilha da ONU, que regulamenta o direito internacional, foi violada no ataque.
Com informações do G1

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